Musicoterapeutas querem ver reconhecida a sua profissão

APMT faz levantamento nacional e lança petição

09 agosto 2016
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A Associação Portuguesa de Musicoterapia (APMT) lançou uma petição, que conta com quase 1.200 assinaturas, para o reconhecimento da profissão de musicoterapeuta, ficando legislado quem pode exercer esta prática.

 

“A nossa grande meta agora é o reconhecimento profissional”, refere a vice-presidente da APMT, Rita Maia, adiantando que o objetivo é atingir pelo menos 4.000 assinaturas para a petição poder ser discutida na Assembleia da República.

 

Segundo a musicoterapeuta, o reconhecimento da profissão torna-se importante porque há “falta de conhecimento e de validação”, sendo esta terapia, por vezes, praticada por pessoas não qualificadas, enquanto em alguns países a profissão já se encontra devidamente regulada e integrada nos serviços de saúde.

 

“Cada vez mais temos conhecimento de técnicos não qualificados que estão a exercer como musicoterapeutas, ou seja, as instituições procuram o serviço mas não sabem que padrão ou qualificação vão exigir de quem vai exercer”, revela Rita Maia, em declarações à agência Lusa.

 

Em Portugal não existem números oficiais sobre musicoterapeutas, pelo que a APMT está a realizar um levantamento nacional do número de técnicos de musicoterapia a trabalhar no ativo e em que regiões do país, estimando-se que, até à data, existam cerca de 50 musicoterapeutas distribuídos a nível nacional.

 

Internacionalmente a musicoterapia está mais desenvolvida em países como o Reino Unido, Áustria, Alemanha, Noruega, Espanha e Israel, havendo várias instituições espalhadas em cada um destes países.

 

A musicoterapia atua desde a idade pré-natal até ao fim da vida. “Temos colegas que trabalham em cuidados paliativos e em fase terminal de vida ou de consciência alterada e em processos de reabilitação e de prevenção”, afirma Rita Maia.

 

Atualmente há mais procura na área das demências, das deficiências e também em intervenções em lares de terceira idade.

 

Rita Maia destaca a vantagem da musicoterapia que pode ser não-verbal em estados avançados de demência, como o Parkinson e o Alzheimer, em que a “verbalização, a comunicação e o diálogo estão já comprometidos” mas que com a música são estimulados.

 

“A música consegue despertar emoções que a própria doença vai omitindo, provocar processos de reminiscência, que é quando as pessoas se remontam a lembranças em determinados períodos da sua vida”, explica a vice-presidente da APMT.

 

A musicoterapeuta esclarece, relativamente ao tipo de música escolhida para cada doente, que é como se houvesse um “ADN musical para cada pessoa”, através de um levantamento sobre os seus gostos e a sua “identidade sonora”.

 

Quando não existe conhecimento prévio sobre o doente, os musicoterapeutas têm de “ir à descoberta” para escolherem o tipo de música mais adequada.

 

A musicoterapia surgiu nos Estados Unidos após a 2.ª Guerra Mundial para tratar essencialmente doentes com stress pós-traumático e como alternativa complementar à medicação.

 

Em Portugal, é no final dos anos 80 que surgem as primeiras pessoas interessadas em praticar esta terapia.

 

A Associação Portuguesa de Musicoterapia é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1996, com a missão de reunir os profissionais da área e promover o seu desenvolvimento, tendo como projeto futuro a criação de uma revista anual que dê a conhecer a experiência destes técnicos.

 

 ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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