Música não torna as crianças mais inteligentes

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

17 dezembro 2013
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As aulas de música podem ajudar na criatividade, disciplina e até na concentração das crianças. Contudo, o estudo agora publicado na revista “PLOS ONE defende que, contrariamente ao comummente acreditado, a aprendizagem de música não torna as crianças mais inteligentes.
 

“Mesmo na comunidade científica há a crença generalizada que a música melhora a inteligência das crianças (…)”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Samuel A. Mehr.
 

De acordo com o investigador, a noção de que a aprendizagem torna as crianças mais inteligentes é em parte resultante dos dados de um estudo publicado na “Nature”. Neste estudo foi identificado o chamado “Efeito Mozart”, ou seja que havia um melhor desempenho em tarefas espaciais quando estas eram realizadas após a audição de música.
 

Apesar destes resultados terem sido mais tarde desmentidos, a população em geral começou realmente a acreditar neste efeito benéfico associado à música. Por outro lado, surgiram vários estudos que se focaram nos benefícios cognitivos das aulas de música.  
 

Contudo, após terem realizado uma revisão bibliográfica, os investigadores da Harvard Graduate School of Education, nos EUA, questionaram a validade de tais estudos. Assim, de forma a clarificar este tema, os investigadores recrutaram 29 pais e crianças de quatro anos de idade. Metade das crianças teve aulas de música e a outra metade aulas de artes. Foram utilizadas ferramentas de avaliação especificamente desenhadas para aferir quatro áreas específicas da cognição, vocabulário, matemática e duas tarefas espaciais
 

“Em vez de utilizar algo genérico, como os testes de quociente de inteligência, testamos quatro domínios da cognição”, referiu o investigador. O estudo apurou que não havia benefícios cognitivos inerentes à aprendizagem de música. Estes resultados foram replicados num outro estudo de maiores dimensões.
 

“Apesar de termos observado pequenas diferenças no desempenho dos dois grupos, estas não eram estatisticamente significativas”, disse Samuel A. Mehr.
 

O investigador referiu ainda que apesar de estes resultados sugerirem que a aprendizagem musical não influencia o sucesso académico, há ainda muitos outros benefícios associados à música.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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