Música melhora processamento cerebral dos bebés

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

29 abril 2016
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Sessões de música melhoram o processamento cerebral tanto da música como de novos sons da fala em bebés de nove meses, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Na opinião da líder do estudo, Christina Zhao, este trabalho sugere que a experiência de um padrão musical ritmado pode também melhorar a capacidade de detetar e fazer previsões sobre os padrões rítmicos na fala. “Isto significa que a participação em experiências musicais precoces pode ter um efeito mais global nas capacidades cognitivas”, referiu, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 

As crianças vivem num mundo complexo em que os sons, as luzes e as sensações variam constantemente. A tarefa do bebé é reconhecer os padrões de atividade e prever o que irá ocorrer a seguir. “A perceção de padrões é uma capacidade cognitiva importante e a melhoria desta capacidade pode ter efeitos a longo prazo na aprendizagem”, referiu, uma das coautoras do estudo, Patricia Kuhl.
 

Tal como a música, a fala tem fortes padrões rítmicos. O ritmo das sílabas ajuda os ouvintes a distinguirem um som do outro e a perceber o que alguém está a dizer. É a capacidade de identificar diferenças nos discursos que ajuda os bebés a aprender a falar.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, decidiram averiguar se o ensino de ritmos musicais poderia ajudar os bebés com os ritmos da fala. Ao longo de um mês, 39 bebés participaram em sessões de música de 12 a 15 minutos com os pais. As crianças foram sentadas em grupos de dois ou três com os pais de forma a guiá-los através das atividades.
 

Enquanto os 20 bebés e os pais incluídos no grupo da música ouviam a melodia, um dos investigadores demostrava o ritmo da mesma através de uma batida. Todas as músicas estavam em compasso ternário, que foi escolhido pelos investigadores por ser relativamente mais difícil de os bebés aprenderem.
 

Os 19 bebés do grupo de controlo participaram em sessões de brincadeira que não envolveram música, tendo brincado com carros, blocos e outros objetos que necessitavam de movimentos coordenados, mas sem música.
 

Uma semana após as sessões terem terminado, as respostas cerebrais dos bebés foram medidas através de uma magnetoencefalografia, de modo a avaliar a localização precisa e o momento da atividade cerebral. Enquanto estavam a ser submetidos a este procedimento, os bebés escutaram várias músicas e sons de palavras, a um ritmo que era ocasionalmente interrompido. O cérebro dos bebés demonstrou uma resposta específica que indicava que estava a detetar a interrupção.
 

Os investigadores focaram-se em duas regiões cerebrais, o córtex auditivo e o pré-frontal, que são importantes para as capacidades cognitivas, como controlo da atenção e deteção de padrões. Verificou-se que os bebés incluídos no grupo da música tinham uma resposta mais forte à interrupção do ritmo da música e da fala tanto no córtex auditivo e pré-frontal, comparativamente com o grupo de controlo.
 

Estes resultados sugerem que a participação nas sessões de música melhora a capacidade dos bebés detetarem os padrões de música.
 

"Esta investigação recorda-nos que os efeitos da música vão para além da música em si. As experiências musicais tem o potencial de aumentar competências cognitivas mais amplas que melhoram as capacidades das crianças em detetar, esperar e reagir rapidamente a padrões no mundo, que é altamente relevante no mundo complexo da atualidade", conclui Patricia Kuhl.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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