Música clássica beneficia funções cerebrais

Estudo conduzido pela Universidade de Helsínquia, Finlândia

19 março 2015
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Ouvir música clássica faz modular os genes responsáveis pelas funções cerebrais, indica um estudo finlandês.
 
Pouco se conhece sobre as determinantes biológicas do ato de ouvir música, que é transversal a todas as sociedades. Ouvir música constitui uma função cognitiva complexa do cérebro humano que conduz a inúmeras alterações neuronais e fisiológicas. Contudo, desconhece-se largamente as implicações moleculares subjacentes aos efeitos provocados pelo ato de ouvir música.
 
A equipa de investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, que conduziu o estudo propôs-se investigar a forma como o ato de escutar música clássica afetava os perfis de expressão genética dos participantes com e sem experiência musical. A equipa solicitou aos participantes que ouvissem um trecho de Mozart, o concerto para violino Nº3 em G-maior K.216 que tem a duração de 20 minutos.
 
Segundo os resultados do estudo, o ato de ouvir o trecho clássico fez aumentar a atividade dos genes envolvidos na secreção e transporte da dopamina, da função sináptica, aprendizagem e memória. Um dos genes supra-regulados, o alfa-sinucleína (SNCA), contribui para o risco da doença de Alzheimer e está localizado na região de ligação mais forte da apetência musical. O gene SNCA é o mesmo que contribui para a aprendizagem de trechos musicais por pássaros cantores.
 
Irma Järvelä, autora principal do estudo, comenta que “a supra-regulação de vários genes que se sabe serem responsáveis pela aprendizagem de trechos e do canto por pássaros sugere um contexto evolutivo partilhado relativamente à perceção de sons entre pássaros vocalizadores e humanos”.
 
Foi também apurado que ouvir música sub-regulava os genes associados à neurodegeneração, o que sugere que a música desempenha um papel neuroprotetor. “O efeito só foi detetado em participantes com experiência musical, o que sugere a importância de se ter familiaridade e experiência para que se beneficie dos efeitos produzidos pela música”, adiantam os investigadores.
 
Esta descoberta traz nova informação sobre o contexto molecular da perceção e evolução musicais e poderá trazer novos dados sobre os mecanismos moleculares subjacentes à terapia musical.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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