Musculação não aumenta metabolismo

Exercício físico intenso em apenas um dia não queima calorias a mais

08 abril 2003
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Desenganem-se todos os que praticam exercício físico intenso com a finalidade de aumentar o metabolismo de um modo imediato. Quem anda no «ferro», ou seja, quem pratica musculação, pode não obter um «efeito de queima de energia posterior». Isto significa que pode não aumentar a taxa metabólica nas horas e nos dias seguintes aos exercícios observados em alguns estudos, de acordo com um novo estudo.
 

 

A equipa de especialistas não verificou nenhuma diferença na quantidade de energia queimada um dia depois do levantamento de peso ou da prática de exercícios aeróbicos.
 

«Não existe nenhum aumento mágico no metabolismo durante oito dias devido ao facto de a pessoa ter feito exercícios puxados», disse o principal autor do estudo, Edward Melanson, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Colorado.
 

 

Em entrevista à Reuters, o especialista recorda que estudos anteriores, cuja conclusão era um grande aumento no metabolismo - às vezes uma queima extra de até 300 calorias por dia dois dias após o levantamento de peso -, está ligado ao facto de serem atletas de alta competição que, por isso, estão aptos fisicamente para treinar de forma consistente nesse nível. «Acho que sempre quisemos acreditar que obtínhamos mais benefícios dos exercícios do que realmente acontecia», disse Melanson.
 

 

O estudo, publicado na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, analisou o gasto de energia em dez homens. Mas Melanson afirmou que não acredita que as mulheres teriam maior taxa metabólica ou metabolismo de gordura mais elevado após o levantamento de pesos.
 

 

O especialista destacou, no entanto, que os praticantes de musculação não devem ser desencorajados. Dependendo do tamanho e peso da pessoa e da intensidade e duração dos exercícios, os praticantes devem gastar cerca de 200 a 300 calorias durante o treino. Além disso, o treino ajuda a reforçar os ossos e músculos e melhora a flexibilidade e o equilíbrio, o que é muito importante para os idosos.
 

 

Dois factores fundamentais no desenvolvimento do estudo podem explicar a razão pela qual a equipa não detectou nenhum gasto de energia prolongado em relação ao levantamento de pesos. Segundo adiantou o autor do estudo, os exercícios avaliados no estudo, que eram «muito vigorosos» e difíceis para os participantes, não eram tão intensos quanto aqueles praticados em outros estudos, os quais demonstraram um efeito de queima de energia após a realização de actividade física. Mas os frequentadores de ginásios raramente se exercitam a esse ponto, a partir do qual não conseguem mais levantar pesos, acrescentou o cientista.
 

 

Além disso, o novo estudo foi realizado numa sala especial, tendo permitido aos investigadores determinassem o gasto de energia exacto dos participantes ao medir o consumo de oxigénio, o consumo de dióxido de carbono, bem como outros factores. Em outros trabalhos, os participantes ficavam em ambientes menos controlados e devem ter praticado outras actividades que aumentaram a perda de calorias.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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