Múmia russa com 70 anos conservada em naftalina

Estado de conservação do corpo espanta especialistas

17 junho 2002
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Um método inédito de embalsamamento usado na Rússia em 1933 está a deixar os cientistas tão impressionados quanto intrigados. O responsável que desenvolveu a técnica foi Andrey Romadanovsky, um assistente de laboratório em Omsk, na Sibéria, o qual descobriu o método sozinho.
 

 

No início da década de 1930, Romadanovsky mumificou um corpo, cuja identidade é desconhecia, mas que, segundo a TV russa possivelmente tratar-se-á de um funcionário do instituto que doou seu corpo à ciência.
 

 

O corpo encontra-se exposto na Academia de Medicina da cidade de Omsk e está dentro de um sarcófago de vidro que apenas o protege da poeira. Para espanto dos especialistas mundiais, o corpo está no mesmo estado em que foi tratado, em 1933. Segundo a estação televisiva russa, «até os órgãos internos da múmia estão intactos». (ver fotos no artigo original).
 

 

No momento, e após quase 70 anos depois da experiência, apenas se sabe que Romadanovsky – que já faleceu há várias décadas- usou uma combinação de formol, álcool e glicerina para criar o líquido para embalsamamento. Mas o segredo estava na combinação e, até ao momento, ninguém conseguiu reproduzi-la. Com a morte do cientista, o método Romadanovsky acabou por se perder.
 

 

Mas para conservar a múmia tudo o que os funcionários do museu de Omsk continuam a fazer é colocar um pouco de naftalina em volta do corpo.
 

 

Rússia espantada
 

 

Especialistas e populares ficaram espantados com a descoberta. É que o corpo de Lenine, o líder Bolchevique, encontra-se no mausoléu na Praça Vermelha, no centro de Moscovo, onde a pressão do ar é mantida a uma temperatura constante.
 

 

Ao invés da múmia de Omsk, o corpo de Lenine precisa de atenção constante para se manter em boas condições. O rosto e mãos são mergulhadas duas vezes por semana em uma solução especial. E, uma vez por ano, o mausoléu é fechado para que todo o corpo de Lenine seja imerso no produto conservante.
 

 

Agora, uma equipa de cientistas criou um instituto de pesquisa especial destinado a descobrir uma forma de preservar o fundador do Estado soviético «para toda a eternidade». Deste modo, a múmia de Omsk voltou à ribalta da discussão científica.
 

 

 

Apesar das múltiplas tentativas para enterrar o corpo,
 

Lenine continua no mausoléu como um símbolo de inspiração das futuras gerações de comunistas. Em entrevista a um jornal nacional, o antigo presidente da Rússia, Boris Ieltsin afirmou que apesar de não o ter feito quando estava no poder, numa tentativa de evitar tensões, é necessário retirar os restos mortais de Lenine do mausoléu.
 

 

Nas últimas décadas, milhares de pessoas de toda a então União Soviética fizeram filas diárias para visitar o corpo. Actualmente, a guarda de honra permanente foi retirada e o número de visitante caiu drasticamente.
 

 

Ao contrário da equipe de especialistas que embalsamou Lenine, Romadanovsky não recebeu nenhum prémio pela descoberta e morreu na obscuridade em Omsk, junto com a sua fórmula.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Links:
 

 

Artigo original
 

Mausoléu de Lenine
 

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