Mulheres têm de facto melhor memória

Estudo publicado na revista “Menopause”

14 novembro 2016
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Testes realizados a homens e a mulheres de meia-idade comprovaram que, de facto, as mulheres têm uma melhor memória que os homens. O estudo publicado na revista “Menopause” refere ainda que, no entanto, a memória das mulheres entra em declínio à medida que estas entram na menopausa.
 
A perda de memória, infelizmente, é uma consequência bem documentada do processo de envelhecimento. Dados epidemiológicos sugerem que aproximadamente 75% dos idosos apresentam problemas de memória. 
 
As mulheres dizem ter maiores problemas de memória e "névoa do cérebro" durante a transição da menopausa. Adicionalmente, as mulheres apresentam um risco desproporcionalmente maior de perda de memória e demência, comparativamente com os homens. Apesar de terem todos estes fatores contra, o estudo levado a cabo pelos investigadores de Boston, nos EUA, sugere que as mulheres de meia-idade apresentam, comparativamente com os homens, melhores resultados nos testes de memória.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 212 homens e mulheres com idades compreendidas entre os 45 e os 55 anos. Foi avaliado, através de testes cognitivos, a memória episódica, a função executiva, a progressão semântica, bem como a inteligência verbal. A memória associativa e memória verbal episódica foram avaliadas através de um exame de memória de associação entre rosto e nome e um teste de memória seletivo.
 
Os investigadores compararam o desempenho dos homens e das mulheres e também entre diferentes fases da vida das mulheres, antes, durante e após a menopausa.
 
O estudo apurou que as mulheres obtiveram melhores resultados que os homens, e que as que estavam na pré-menopausa ou perimenopausa obtiveram melhores resultados do que as que se encontravam na pós-menopausa. O desempenho foi associado a níveis de estradiol, independentemente da idade cronológica.
 
Uma vez que o estradiol diminui durante a menopausa, as mulheres apresentam mais dificuldades em aprender alguma coisa pela primeira vez e a recuperar informações. No entanto, continuam a manter e a consolidar memórias armazenadas de forma eficaz. Os resultados sugerem que diferentes partes do cérebro são afetadas.
 
No entanto, as áreas do cérebro afetadas parecem ser diferentes daquelas que são inicialmente afetadas na doença de Alzheimer, não tendo sido encontrada uma associação entre défices cerebrais na menopausa e a doença de Alzheimer.
 
O “nevoeiro do cérebro” e o esquecimento são muitas vezes atribuídos ao stress do trabalho e à necessidade de realizar múltiplas tarefas. Contudo, estes achados sugerem que a menopausa, especificamente, o estradiol, pode desempenhar um papel importante nos défices de memória.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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