Mulheres são tão boas em matemática como os homens

Estudo publicado na revista “Notices of the American Mathematical Society”

29 dezembro 2011
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Um importante estudo, que analisou dados internacionais recentes sobre o rendimento escolar dos alunos em matemática, desafiou alguns pressupostos comuns sobre o género e desempenho na área, em particular, a ideia de que as mulheres têm uma capacidade inferior devido a uma diferença biológica. A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade de Wisconsin, nos EUA, e publicada na revista “Notices of the American Mathematical Society”.

 

"Provámos algumas hipóteses propostas recentemente que tentam explicar o hiato de género no desempenho de matemática, e descobrimos que não foram apoiadas pelos dados", explicou, em comunicado de imprensa, Janet Mertz, autora do estudo e professora de oncologia da Universidade de Wisconsin -Madison. Por outro lado, os investigadores vincularam as diferenças no rendimento matemático a factores sociais e culturais.

 

O estudo analisou dados de 86 países, que os autores utilizaram para testar a hipótese apresentada em 2005 por Lawrence Summers, então presidente da Harvard, como a principal razão para a escassez de mulheres matemáticas.

 

A hipótese de Summers argumentava que os homens diferem mais do que a média em ambas as extremidades do espectro e, portanto, estão mais representados no domínio do ensino superior. No entanto, usando dados internacionais, os cientistas de Wisconsin descobriram que esta maior variação masculina no desempenho em matemáticas não está presente nalguns países, indicando que este factor está mais relacionado com a cultura do que com a biologia.

 

O estudo de Wisconsin também desacreditou a ideia proposta por Steven Levitt de "Freakonomics"; segundo Levitt a desigualdade de género não impede o desempenho das mulheres em matemática nos países muçulmanos, onde as escolas são mistas. Ao analisar os dados em pormenor, os autores apontaram outros factores: "as raparigas nas escolas de alguns países do Médio Oriente, como Barém e Omã, não obtiveram muito boas pontuações, mas os rapazes tiveram ainda piores resultados; esses resultados não foram associados com a cultura muçulmana ou tipo de educação não-mista das escolas ", explicou Jonathan Kane, autor do estudo e professor de matemática da Universidade de Wisconsin-Whitewater.

 

Kane sugere que os maus resultados das crianças do Barém podem dever-se ao facto de muitos frequentarem escolas religiosas cujos currículos não incluem matemática. Além disso, algumas raparigas abandonam os estudos. Deste modo, apontam os investigadores, a amostra não é representativa de toda a população. "Por estas razões, acreditamos ser muito mais razoável atribuir as diferenças no desempenho em matemáticas aos factores sociais específicos de cada país", conclui Kane.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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