Mulheres que tomam a pílula lembram-se das coisas de forma diferente

Estudo publicado no “Neurobiology of Learning and Memory”

20 setembro 2011
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As mulheres que tomam anticoncepcionais orais recordam episódios passados de maneira diferente, aponta um estudo publicado no “Neurobiology of Learning and Memory”, o primeiro acerca dos efeitos da pílula sobre a memória.

 

O estudo verificou que a pílula contraceptiva, tomada por aproximadamente 3,5 milhões de mulheres britânicas, tem um impacto no cérebro que as leva a lembrarem-se do embate emocional de um episódio que lhes aconteceu, mas não dos pormenores do evento.

 

O estudo, contudo, enfatizou que a medicação não danifica a memória. Significa apenas que há uma mudança no equilíbrio hormonal que faz com que as mulheres se lembrem das coisas de forma diferente.

 

Os efeitos da pílula já foram amplamente estudados e sugerem que a sua toma conduza a um aumento do cérebro, aumentando as competências emocionais. Outros estudos também sugerem que as mulheres se sentem mais atraídas por homens mais jovens porque eles tendem a ser mais férteis.

 

O presente estudo, conduzido por especialistas da University of California, em Irvine, EUA, analisou o modo como as mulheres, sob efeito da pílula contraceptiva ou sem ela, tendo os ciclos hormonais naturais, se lembraram de um acidente de carro que envolvesse a mãe e um filho.

 

As mulheres que usavam contraceptivos há apenas um mês lembraram-se, de forma mais clara, os principais passos do episódio traumático – por exemplo, que tinha havido um acidente, que o menino tinha sido levado de urgência para o hospital, que os médicos fizeram de tudo para salvar a sua vida.

 

Já as mulheres que não tomavam a pílula lembraram-se de mais pormenores, como por exemplo, um objecto que estava ao lado do carro.

 

De acordo com um dos membros da equipa, Shawn Nielsen, citado pelo jornal “Telegraph”, as mulheres que usam contraceptivos lembram-se da essência emocional de um episódio, ao contrário das outras, que retêm mais pormenores. Contudo o cientista salientou que “os contraceptivos não danificam a memória, criam apenas uma mudança no tipo de informação que as pessoas não se lembram”.

 

De acordo com Larry Cahill, um neurobiólogo que também trabalhou no estudo, a mudança faz sentido porque os contraceptivos suprimem as hormonas sexuais como o  estrogénio e a progesterona para evitar a gravidez. Essas hormonas já foram relacionadas à uma maior capacidade de memória nas mulheres.

 

Estas descobertas podem ajudar a encontrar respostas mais completas sobre a razão das mulheres experimentam síndrome de stress pós traumático com mais frequência do que os homens.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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