Mulheres neuróticas apresentam risco acrescido de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Neurology”

10 outubro 2014
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Um novo estudo sugere que as mulheres de meia-idade com uma personalidade neurótica e que se enervam facilmente apresentam um maior risco de desenvolverem a doença de Alzheimer.
 

Conduzido pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, o estudo teve por base o acompanhamento de 800 mulheres durante um período de quatro décadas.
 

No início do estudo as mulheres tinham, em média, 46 anos de idade. Nessa altura, as participantes foram submetidas a testes de personalidade, de forma a serem avaliadas relativamente aos índices de neurose. Para determinar uma personalidade neurótica foram tidos em conta traços como ansiedade, nervosismo, preocupação, sentimentos de culpa, inveja, depressão e sociabilidade. As mulheres foram divididas em dois grupos distintos: num primeiro grupo foram incluídas as mulheres com personalidade neurótica e mais introvertida, enquanto no segundo grupo foram incluídas as mulheres que não se enervavam com tanta facilidade, e eram mais extrovertidas.
 

No fim da fase de acompanhamento, 38 anos mais tarde, os cientistas observaram que 19% das mulheres tinha desenvolvido demência. No entanto a percentagem de mulheres com demência foi diferente nos dois grupos de estudo. No grupo das que se enervavam facilmente e eram introvertidas 25% tinha desenvolvido a doença, comparativamente com 13% do grupo de mulheres que não se enervavam facilmente e que eram extrovertidas. A introversão e extroversão só por si não foram associadas a um maior risco de desenvolvimento da doença.
 

A autora do estudo, Lena Johannsson, investigadora naquela universidade, comenta que “não há mais nenhum estudo que tenha demostrado que [um estilo de] personalidade na meia-idade aumentasse o risco da doença de Alzheimer durante um período de quase 40 anos”. A autora acredita que os resultados obtidos podem aplicar-se também aos homens.
 

A autora considera ainda que a personalidade pode afetar o risco de demência, já que poderá influenciar o comportamento, estilo de vida ou reações ao stress, o que por si só poderá afetar a saúde do indivíduo de um modo geral. Estudos anteriores demonstraram também que a neurose e o stress estão associados a alterações no hipocampo, uma região do cérebro que é afetada na fase inicial da doença de Alzheimer.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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