Mulheres engordam nos primeiros quatro anos após o parto

Estudo da Universidade do Porto

13 maio 2016
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As mulheres portuguesas aumentam consideravelmente de peso nos primeiros quatro anos após o parto, comparativamente com o peso que tinham antes de engravidar, dá conta um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
 
"A prevalência de excesso de peso passou de 37% para 55%, o que reflete a falta de eficiência das recomendações para a sua manutenção durante e imediatamente após a gravidez", referiu à agência Lusa Ana Henriques, uma das investigadoras envolvidas no projeto.
 
O estudo demonstrou que a satisfação com a imagem corporal da mulher tem um impacto significativo na evolução do seu peso, nomeadamente em mulheres com um Índice de Massa Corporal (IMC) normal antes de engravidar. As mulheres mais satisfeitas com a sua imagem são aquelas que melhor controlam o seu próprio peso nesses primeiros anos.
 
Por outro lado, "as mulheres com IMC normal antes da gravidez, que se sentem acima da sua silhueta ideal, têm mais do dobro do risco de virem a ter excesso de peso quatro anos depois do parto e mais do triplo do risco de virem a ser obesas do que as mulheres que se sentem satisfeitas com a sua silhueta", referiu a investigadora.
 
De acordo com Ana Henriques, os resultados dão conta da importância das questões psicológicas associadas à regulação do peso, como as crenças, as expetativas e a perceção relacionadas com a imagem corporal, que podem ser trabalhadas e ter um papel relevante na prevenção da obesidade.
 
O estudo, que foi desenvolvido no âmbito do projeto Geração 21 (G21), avaliou também a trajetória social da mulher, desde a infância até à vida adulta, e qual o seu efeito na satisfação com a imagem corporal destas mães. Verificou-se que os resultados foram distintos, tendo em conta se a criança era o primeiro filho ou não. 
 
Em mulheres com mais do que um filho verificou-se a influência deste fator, sendo que as mulheres com uma trajetória social descendente (posição social mais elevada na infância do que a que tinham na vida adulta) têm maior probabilidade de se sentirem insatisfeitas com o corpo. Curiosamente, nas mulheres que foram mães pela primeira vez não foi encontrado qualquer efeito. 
 
Neste grupo particular, a insatisfação com a imagem corporal pode estar atenuada devido ao "encantamento associado à maternidade e ao facto de existirem boas expetativas associadas a retomar o tamanho e forma corporais que tinham antes da gravidez".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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