Mulheres com níveis baixos de HIV no sangue apresentam altos valores no tracto genital
12 novembro 2001
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Mulheres portadoras de HIV, incluindo aquelas que obtiveram sucesso com a terapia antiretroviral que diminuem os níveis virais, correm o risco de transmitir o vírus da Sida aos seus parceiros sexuais, bem como aos bebés durante o parto. O estudo foi esta segunda-feira publicado na revista científica The Lancet.
 

 

Segundo os cientistas, quando as drogas anti-HIV conseguem diminuir os níveis virais no sangue, as mulheres podem apresentar altos níveis do vírus no tracto genital.
 

Os resultados do estudo comprovam que as mulheres podem ter grandes probabilidades de transmitir o vírus aos bebés ou parceiros sexuais mesmo quando têm uma carga viral muito baixa no sangue.
 

 

Em 300 mulheres portadoras de HIV, as quais foram atendidas em cinco centros dos Estados Unidos, 57 por cento das pacientes apresentaram o vírus no tracto genital. E aquelas que tinham os mais altos níveis sanguíneos de HIV estavam também mais propensas a apresentar essa «eliminação» genital.
 

 

Mesmo entre as mulheres cujos níveis sanguíneos revelaram que o HIV estava «adequadamente controlado», cerca de um terço tinha o vírus no tracto genital. As descobertas pertencem à Escola de Medicina da Universidade da Califórnia do Sul, EUA, e dão ênfase à questão da eliminação genital entre mulheres HIV-positivo.
 

 

Transmissão durante o parto
 

 

Este estudo revela-se de extrema importância, em especial para desmistificar a não transmissão de HIV da mãe para o bebé durante o parto. A investigação reforça as evidências de uma mulher transmitir o vírus sexualmente ou durante o parto, facto que pode depender muito da presença do HIV no tracto genital.
 

 

A transmissão do vírus aos bebés ocorre, em grande percentagem, durante o nascimento, reforça o estudo. Até ao momento não se sabe exactamente quais os mecanismos que levam uma mulher a ter níveis relativamente altos, baixos ou nulos de HIV no tracto genital.
 

 

Segundo o editorial que acompanha a publicação do estudo, Pietro L. Vernazza, do Hospital Cantonal, em St. Gallen, Suíça, isto significa que «os pacientes vão ter que continuar a ser alertados sobre as consequências do sexo sem protecção, mesmo se os exames de sangue indicarem que responderam à terapia anti-retroviral». Para Vernazza basear nos níveis virais do sangue «pode subestimar bastante o risco de transmissão em algumas pessoas».
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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