Mulheres com carreira correm mais risco de ter cancro da mama

Não ter filhos ou tê-los mais tarde pode ter influência na doença

09 dezembro 2003
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Mulheres com carreiras profissionais têm uma possibilidade 50 por cento maior do que as mulheres sem qualificação profissional de morrer de cancro da mama, segundo estatísticas do governo britânico.
 

Os dados contrastam com um estudo anterior do Departamento Nacional de Estatísticas o qual mostrava que há 15 anos as mulheres sem qualificação profissional tinham maior probabilidade de morrer vítimas da doença. Segundo os especialistas, as mulheres com carreira estão mais ameaçadas pelo cancro da mama por causa de factores como ter menos filhos e mais tarde.
 

Mas os autores da investigação destacam que uma maior assistência médica no tratamento do cancro está a beneficiar as mulheres de todas as classes sociais. A cada ano, mais de 40 mil mulheres recebem o diagnóstico de cancro da mama na Grã-Bretanha. Cerca de 13 mil morrem vítimas da doença.
 

As estatísticas oficiais britânicas ainda mostram que de 1997 a 99, as mulheres das classes sociais ditas mais altas tinham uma probabilidade de 54 por cento de morrer da doença do que as mulheres nas classes sociais mais baixas.
 

Essa é a tendência inversa à verificada de 1986 a 92, quando as mulheres sem qualificação profissional tinham uma probabilidade 13 por cento maior de morrer da doença. A mudança deve-se à melhoria na assistência médica ligada ao cancro, que beneficiou mais as mulheres das classes mais baixas, dizem os especialistas em oncologia.
 

Mulheres com carreiras profissionais estarão numa posição mais favorável para auferirem benefícios em assistência médica nas décadas de 80 e 90. Mas quando essa assistência foi ampliada para servir as mulheres nas classes mais baixas, a taxa de mortalidade desse grupo foi reduzida, fazendo diminuir a discrepância entre os dois segmentos sociais.
 

«Tradicionalmente as mulheres com carreira estão expostas a maiores riscos porque têm menos filhos e mais tarde», explicou à BBC Valerie Beral, da Unidade de Epidemiologia do Estudo do Cancro na Grã-Bretanha. Mas elas, acrescenta a responsável, também estão melhor colocadas para se beneficiarem de tratamentos que aumentaram as hipóteses de sobrevivência nas décadas de 80 e 90. «Como resultado, a taxa de mortalidade para as mulheres nas classes sociais mais baixas eram piores até que também começaram a ser beneficiadas dos mesmos tratamentos», justificou.
 

As estatísticas oficiais britânicas também mostraram uma grande diminuição na ocorrência de mortes provocadas por doenças respiratórias e cardiovasculares nas classes sociais mais altas, mas não nas mais baixas.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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