Mulheres cientistas ganham menos um terço que os homens
11 outubro 2001
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As cientistas ganham menos um terço que os seus pares masculinos nos campos da saúde e da biologia, indica a maior pesquisa já efectuada sobre os salários praticados no campo das ciências da vida.
 

 

Os salários anuais das mulheres rondam os 78.000 euros (mais de 15 mil contos) contra uma média de 102.000 euros (20 mil contos) no caso dos ordenados masculinos, ou seja, uma diferença de cerca de 30 por cento.
 

 

A sondagem, da responsabilidade da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, sigla em inglês), inquiriu 20.000 cientistas e vai ser publicada hoje na revista Science.
 

 

A associação referiu que os melhores salários dos homens podem ser explicados, em parte, pelo facto de os indivíduos do sexo masculino estarem mais avançados nas respectivas carreiras e trabalharem em campos mais bem remunerados.
 

 

Catherine Didion, directora executiva da Associação para as Mulheres na Ciência, afirmou que esta explicação «era um argumento válido há duas décadas mas difícil de aceitar actualmente».
 

 

Didion sublinhou que as mulheres estão hoje em dia fortemente representadas nas ciências da vida, aproximando-se dos 50 por cento em alguns campos, e que não há razões para se continuarem a verificar as disparidades salariais entre os dois géneros.
 

 

Médicos
 

 

Os resultados da sondagem demonstraram que a diferença de ordenados entre homens e mulheres era maior entre médicos e executivos nas empresas e organizações no campo das ciências da vida.
 

 

Por exemplo, enquanto os homens que desempenham funções de directores executivos em empresas de ciências da vida recebem cerca de 174.000 euros (35.000 contos), as mulheres em cargos semelhantes ganham em média 136.000 euros (27 mil contos).
 

 

No caso dos médicos, os salários médios masculinos rondam os 136.000 euros (27 mil contos) contra os 98.000 euros (19 mil contos) das mulheres.
 

 

Casamento
 

 

A sondagem realçou ainda que as mulheres na ciência pagam um preço profissional mais alto pelo casamento do que os homens.
 

 

Dois terços das mulheres inquiridas admitiram que as suas carreiras tinham ficado «pelo menos um pouco limitadas» após o matrimónio.
 

 

Cerca de um quarto das mulheres responderam mesmo que as suas carreiras foram «muito afectadas» pelo casamento.
 

 

Pelo contrário, apenas 7 por cento dos cientistas do sexo masculino consideraram que as suas carreiras ficaram significativamente afectadas por terem de as conciliar com as exigências profissionais das cônjuges.
 

 

A sondagem concluiu, por outro lado, que os salários na área das ciências da vida aumentaram cerca de 7 por cento num ano, quase o dobro do crescimento dos ordenados do trabalhador médio norte-americano.
 

 

Os salários médios dos cientistas da vida que exercem cargos académicos rondavam os 87.000 euros (17 mil contos), um valor que sobe para os 104.000 euros (21 mil contos) quando se trata de cientistas não-académicos.
 

 

A pesquisa foi baseada em questionários enviados a cerca de 20.000 investigadores, executivos, professores ou clínicos a trabalhar na área das ciências da vida e da saúde.
 

 

Foram utilizadas 8.692 respostas. A margem de erro anunciada foi de um por cento ou menos.
 

 

A AAAS, entidade responsável pela pesquisa, é a maior organização científica do mundo e a editora da revista Science.
 

 

 

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