Mulheres assediam mais que homens

Médicos são principais vítimas de perseguição feminina

05 dezembro 2001
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Em qualquer momento da vida, cada um de nós já viveu ou ouviu contar histórias de assédio sexual. Até há poucas décadas atrás, o perseguidor era homem e a vítima de perseguição a mulher. Mas a mediatizada sociedade de consumo tem vindo a transformar a imagem masculina em atraentes símbolos sexuais. E é por isso que estrelas de cinema como Brad Pitt , Tom Cruise ou a pop-strar Ricky Martin sofrem na pele, para o bem e para o mal, as consequências de paixões obsessivas e perigosas das suas fãs.
 

 

Mas estes sentimentos violentos são também vividos pelos comuns mortais. Segundo um estudo efectuado por uma equipa do Hospital Real de Melbourne, Austrália, em geral, as mulheres são mais propensas a perseguir pessoas com quem têm contacto profissional, como trabalhadores da área de saúde.
 

 

Mas, se um homem assedia uma mulher pelo apelo físico, já as mulheres têm outras motivações para encetar uma perseguição. Na análise efectuada pela equipa médica, as agressoras apresentaram uma tendência particular em perseguir profissionais de saúde. “As preocupações e empatia apresentadas pelos profissionais geralmente foi interpretada como interesse romântico", apontou Rosemary Purcell, chefe da equipa médica do Hospital .
 

 

E embora se possa pensar que o sexo feminino é menos violento que os homens quando o coração bate mais forte, a verdade, segundo revela o estudo, é que possuem comportamentos semelhantes aos apresentados pelo sexo masculino. "Quando as mulheres passam a apresentar comportamentos de perseguição, são tão intrometidas quanto os homens. Elas também se tornam propensas a ameaçar e danificar bens", aponta a médica.
 

 

Psiquiatras, psicólogos e médicos de família
 

 

Para analisar as diferenças de atitude de agressores do sexo masculino e do feminino, o estudo avaliou 40 mulheres e 150 homens que foram encaminhados a uma clínica especializada em avaliar e tratar perseguidores e vítimas.
 

 

A equipa verificou que 40 por cento das mulheres agressoras assediaram alguém com quem tinham contacto profissional (como psiquiatras, psicólogos e médicos de família), enquanto apenas pouco mais de 20 por cento perseguiram os companheiros. Ao invés, quase 30 por cento dos agressores do sexo masculino “andaram atrás” de parceiros e menos de 20 por cento assediou um profissional.
 

O estudo também referiu que quase metade das mulheres assediou a vítima na esperança de estabelecer uma "relação íntima e amorosa", enquanto o mesmo ocorreu com cerca de 30 por cento dos homens.
 

 

Cerca de metade das agressoras perseguiu pessoas do mesmo sexo e apenas 10 por cento dos homens fizeram o mesmo. A intimidade procurada pelas mulheres para pessoas do mesmo sexo geralmente era romântica ou sexual e raramente envolvia homossexualidade. No entanto, essa busca incluía desejo de estabelecer "uma aliança de amizade ou mesmo uma relação maternal" com a vítima.
 

 

Situações semelhantes
 

 

No caso de namorados/as, maridos/mulheres ou companheiros/as, homens e mulheres assediaram de forma semelhante. Ambos perseguiram o cônjuge como forma de “atormentar” a vida de quem os fez sofrer.
 

 

Comportamentos de assédio como seguir uma pessoa (muito mais usado por homens) e telefonar (táctica mais adoptada por mulheres) podem durar pouco tempo como dois meses ou períodos de até 20 anos, segundo o estudo. Outros métodos usados para “enfernizar” a vida do outro incluíram ameaças, danos a bens e agressão. As mulheres foram menos propensas a agredir fisicamente a vítima.
 

 

Em média, os homens e as mulheres avaliados tinham cerca de 35 anos, em geral eram solteiros e estavam empregados. Os perseguidores do sexo masculino foram mais propensos a ter um histórico criminal ou de agressão criminosa e apresentaram taxas mais elevadas de dependência química.
 

 

Cerca de metade dos agressores de ambos os sexos recebeu um diagnóstico de distúrbio de personalidade. Aproximadamente um quarto dos homens (e 30 por cento das mulheres) apresentavam distúrbios de delírio. Outros problemas psiquiátricos incluíram esquizofrenia, doença bipolar e depressão grave.
 

 

Rosemary Purcell não teme em afirmar que estes casos devem ser diagnosticados e tratados com muita atenção por parte dos profissionais de saúde. Segundo a médica, muitos protagonistas de situações de perseguição, em especial as vítimas, não são devidamente acompanhados por se pensar de que são situações simples e que fazem parte do quotidiano.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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