Mulheres agredidas cada vez mais jovens

Universidade do Minho estuda violência doméstica

26 novembro 2002
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Por detrás de um «príncipe encantado» esconde-se, muitas vezes, um marido agressor. Para muitas mulheres, as histórias cor-de-rosa desfizeram-se com a «primeira estalada» e arrastaram-se ao longo de penosos anos de vida conjugal.
 

 

Investigadores da Universidade do Minho (UM) têm vindo a estudar o problema a partir de grupos de vítimas que atendem na Unidade de Psicologia da Justiça, um serviço de pesquisa científica que presta apoio aos tribunais da região.
 

 

Ao Campus de Gualtar da UM chegam «todos os dias» vítimas de agressões e agressores, para os quais também se procuram respostas de recuperação. Marlene Matos é uma das psicólogas envolvidas neste trabalho e avisa que «quando estamos a falar de violência conjugal, não estamos a falar de primeiras estaladas».
 

 

As vítimas relatam processos de agressões físicas associados a violações ou submissão a práticas sexuais que são do seu desagrado. «Aparecem cada vez mais mulheres jovens, na casa dos trinta anos», explicou, «e quem agride é cada vez mais criativo».
 

 

No ano passado, a equipa da unidade de psicologia efectuou um inquérito junto de 400 homens casados, todos de Braga, seleccionados aleatoriamente para responderem a questões sobre vida conjugal. Aferidos os resultados, os técnicos concluíram que 13,4 por cento dos sujeitos «reconheceram ter agredido as parceiras». De igual modo, as mulheres confessam ter sido vítimas de agressões, pelo menos uma vez na vida. Os números apontam para 6,7 por cento das mulheres nestas condições à escala nacional. «Existe uma legitimação tácita da sociedade que parece autorizar a violência», comentou a psicóloga Marlene Matos perante uma plateia de assistentes sociais, professoras, enfermeiras, médicos, advogados, polícias e mulheres agredidas, convidadas pelas técnicas de acção social da autarquia de Fafe e que apareceram a coberto do discreto anonimato, circunstância de vida que bem conhecem.
 

 

É aos bancos das urgências que quase sempre vão parar, vítimas de novas agressões. Outras, recorrem aos centros de saúde a um ritmo dez a quinze vezes maior do que um utente «normal». A equipa de psicólogos da Universidade do Minho já dispõe de uma espécie de tabela de sintomas que permite identificar uma «mulher batida». Tem entre 35 e 44 anos, é mãe, casada, apresenta desequilíbrio psicológico, é incoerente nas explicações acerca de lesões que sofre, tenta disfarçar os sinais de agressão e é submissa.
 

 

O marido agressor português não tem um padrão definido, embora o grupo «dominante» coincida com os homens na faixa etária dos 35 aos 45 anos, maioritariamente dependentes do álcool. A Estremadura lidera a tabela da violência doméstica, seguindo-se o Douro Litoral, a beira litoral e o Minho, região onde o número de homicídios conjugais é elevado.
 

 

Fonte: Diário de Notícias
 

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