Muitos pacientes cardíacos ficam anémicos após excesso de exames ao sangue

Estudo publicado nos “Archives of Internal Medicine”

12 agosto 2011
  |  Partilhar:

Um em cada cinco pacientes que são hospitalizados por enfarte agudo do miocárdio desenvolve anemia devido ao excesso de exames de sangue realizados nos testes de diagnóstico de rotina, aponta um estudo publicado nos “Archives of Internal Medicine”. Esta anemia, refere o estudo, persiste um mês depois da alta hospitalar, e pode significar piores resultados, incluindo a morte.

 

As pessoas com anemia apresentam números muito baixos de glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigénio para as diferentes partes do corpo. Num estudo anterior, os investigadores verificaram que cerca de metade de todos os pacientes hospitalizados devido a um enfarte do miocárdio apresentava, à data do internamento hospitalar, contagens normais de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina, mas, na verdade, na altura da alta médica, estavam anémicos.Contudo, a maioria desses pacientes não teve qualquer complicação hemorrágica que pudesse conduzir à doença.

 

Foi esta constatação que levou Mikhail Kosiborod, cardiologista do Instituto Cardiovascular do Hospital St. Luke, em Kansas City, EUA, a apresentar a teoria de que as quantidades de sangue retiradas para exames de rotina poderiam ser as responsáveis pela anemia.

 

Para a investigação, os autores do estudo analisaram registos médicos electrónicos de quase 18 mil pacientes que tinham sofrido um enfarte agudo do miocárdio num dos 57 hospitais norte-americanos.

 

Embora todos tivessem níveis normais de hemoglobina na altura da admissão hospitalar, 20% tinham desenvolvido anemia moderada a grave no momento em que saíram do hospital. O risco de anemia aumentou em 18% por 50 mililitros (ml) de sangue extraído.

 

Em média, para cada paciente, foram extraídos 173,8 ml de sangue para testes, ou seja, cerca de metade de uma unidade de sangue completa. Este número era 100 ml mais que o sangue extraído aos pacientes que não desenvolveram anemia moderada a grave, notaram os cientistas. Também houve diferenças na quantidade de sangue colhido entre os diferentes hospitais.

 

Felizmente, os autores identificaram algumas soluções aparentemente simples para minimizar o problema. Uma opção seria usar tubos pediátricos de menor tamanho na colheita de sangue, ao invés dos tubos de tamanho adulto. Tirar sangue com menor frequência também pode ajudar, e também, talvez possa ser possível usar sangue extraído, e já no laboratório, para testes adicionais.

 

No entanto, os dados deste novo estudo não são suficientes para concluir que estejam a ser realizados testes desnecessários, enfatizou, em comunicado de imprensa, o líder da investigação, dado que realizar menos exames também pode resultar em problemas médicos, e este estudo não analisou especificamente quão adequados foram os testes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.