Mudanças na dieta afectam os biomarcadores associados à doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Archives of Neurology”

20 junho 2011
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Seguir uma dieta baixa em gorduras saturadas e de baixo índice glicémico parece modular o risco de desenvolver demência, uma doença que, eventualmente, conduz ao Alzheimer. Alterar esses padrões de alimentação pode até proteger aqueles que já têm dificuldades cognitivas, de acordo com um estudo publicado na revista “Archives of Neurology”.

 

Estudos anteriores já tinham sugerido a existência de ligações entre a dieta e a capacidade cognitiva. No entanto, investigações realizadas sobre alimentos específicos não tinham encontrado provas conclusivas da existência de uma influência sobre o risco de Alzheimer.

 

Neste estudo, a equipa liderada por Jennifer L. Bayer-Carter, do Veterans Affairs Puget Sound System Care Health, em Seattle, EUA, propôs-se comparar uma dieta rica em gorduras saturadas e hidratos de carbono simples - um padrão de macronutrientes associados com a diabetes tipo 2 e a resistência à insulina – com uma dieta baixa em gorduras saturadas e hidratos de carbono simples. As intervenções denominam-se HIGH (elevada) e LOW (baixa), respectivamente.

 

Os autores deste estudo avaliaram os efeitos destas duas dietas em 20 adultos saudáveis e 29 adultos mais velhos que sofriam de declínio cognitivo ligeiro (DCL) subtipo amnésico, o que significa que tinham alguns problemas de memória.  O DCL amnésico avançado é muitas vezes considerado precursor da doença de Alzheimer.

 

No ensaio controlado e aleatório que durou quatro semanas participaram 24 pessoas que seguiram a dieta HIGH e outras 25 que seguiram a dieta LOW. Os investigadores estudaram o comportamento desses participantes com testes de memória, assim como os seus níveis de biomarcadores – as substâncias biológicas indicativas da doença de Alzheimer - como a insulina, colesterol, glicemia, níveis de lipídos no sangue e  componentes do líquido cefalorraquidiano (LCR).

 

Os resultados do estudo foram diferentes para o grupo com DCL amnésico e para o grupo de participantes saudáveis. Neste último grupo, a dieta LOW reduziu alguns dos biomarcadores LCR de Alzheimer, assim como os seus níveis de colesterol total. No entanto, entre os indivíduos com  DCL amnésico, a dieta LOW aumentou os níveis desses biomarcadores.

 

Algumas alterações nos biomarcadores, tais como os níveis de insulina, foram observadas nos dois grupos. Além disso, a dieta LOW melhorou o comportamento nos testes de memória visual diferida, tanto nos participantes saudáveis como naqueles que apresentavam uma memória deteriorada, mas não afectou as pontuações noutros indicadores cognitivos.

 

Estes resultados indicam que "para adultos saudáveis, a dieta HIGH alterou os biomarcadores LCR numa direcção que pode caracterizar um estado pré-sintomático de Alzheimer." Os autores acreditam que os resultados obtidos pelos diferentes participantes com DCL amnésico podem demonstrar que as intervenções dietéticas não são tão eficazes em fases tardias do declínio cognitivo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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