Mudança da hora deve ser lentamente antecipada

Considerações da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono

28 março 2017
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O presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono aconselhou as pessoas a anteciparem lentamente a mudança da hora para o horário de verão para minimizar “os prejuízos” que esta alteração causa no organismo.
 
Segundo apurou a agência Lusa, Miguel Meira e Cruz alerta que “desafiar o tempo interno é um risco real para a saúde” e apontou algumas formas de o minimizar. 
 
“Apesar da solução para os problemas decorrentes da mudança da hora estar unicamente na abolição desta medida, é possível minimizar alguns dos efeitos assumindo alguns cuidados”, defende Miguel Meira e Cruz. Neste contexto, “é importante”, no que respeita ao sono, que as pessoas se deitem “um pouco mais cedo nos dias que antecedem o adiantar dos ponteiros” uma hora, salienta o especialista em medicina do sono.
 
Por outro lado, adverte, “adiantar os ponteiros significa para algumas pessoas com cronotipo matutino, deitar-se ainda com sol, o que pode dificultar o adormecer e afetar a continuidade do sono”. “É importante que, nestas circunstâncias, o quarto seja mantido escuro e com temperaturas adequadas (nem muito frio, nem muito calor) para que o sono se processe da melhor forma”, aconselha.
 
Os que praticam exercício físico em horas tardias também devem tentar antecipar o horário do exercício, bem como a sua intensidade. Segundo o investigador do Centro Cardiovascular da Universidade de Lisboa, “não existe prova convincente” de que ganhar “uma hora extra de sol” represente “poupanças efetivas”.
 
Miguel Meira e Cruz refere ainda que existem várias razões para se considerar totalmente inoportuna a mudança que ocorre duas vezes por ano. Apesar de ser sobre o sono que estas alterações horárias parecem ter mais efeitos, cada um dos órgãos sofre “um desajuste que demora bem mais tempo a recuperar do que o desacerto do ciclo vigília-sono”.
 
“Sabemos por exemplo que existe uma interação dinâmica entre o relógio circadiano interno e a divisão celular e que esta interação influencia por exemplo o desenvolvimento de certas doenças, nomeadamente tumorais. É efetivamente real o risco e o efeito pode não ser visível a curto prazo, mas existe”, salienta.
 
Também vários trabalhos epidemiológicos têm sugerido repetidamente que a mudança horária aumenta o risco cardiovascular, de acidentes e a ocorrência de maior instabilidade emocional, sobretudo em pessoas vulneráveis.
 
O investigador adianta que a maioria das pessoas esquece o impacto inicial da mudança após três ou quatro dias, sobretudo pela “frequência de horários irregulares e de maus hábitos” que têm relativamente ao sono e que “fazem ter dúvidas sobre o que é que provoca o quê”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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