Movimentos corporais precisam de substância no cérebro para se iniciarem

Estudo apresentado na revista “Nature”

05 fevereiro 2018
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Neurocientistas portugueses descobriram que basta ativar uma substância nas células cerebrais, a dopamina, antes do início de um movimento corporal, como andar ou correr, para o movimento se desencadear.
 
Segundo apurou a agência Lusa, a descoberta perspetiva tratamentos mais eficazes para a doença de Parkinson, que afeta a coordenação motora e que tem como um dos problemas a dificuldade de iniciação do movimento e a lentidão do movimento.
 
Rui Costa, coordenador da equipa científica, e Joaquim Alves da Silva, ambos neurocientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa, e da Universidade Columbia, nos EUA, analisaram em ratinhos saudáveis a atividade dos neurónios que produzem dopamina antes da iniciação do movimento.
 
Verificaram, depois de colocarem elétrodos nos roedores, que a atividade dos neurónios dopaminérgicos, os que libertam dopamina, "está relacionada com o quão rápido e vigoroso vai ser o movimento", disse à Lusa Rui Costa, assinalando que a atividade neuronal é menor para movimentos mais lentos e é maior para movimentos mais rápidos.
 
Posteriormente, os investigadores conseguiram silenciar ou ativar as células implicadas na produção de dopamina. Os cientistas observaram que se consegue “calar” o pico de atividade destas células mesmo antes da iniciação do movimento e ativá-lo quando os ratinhos estão parados.
 
A equipa constatou, por outro lado, que a inibição ou a ativação da atividade dos neurónios dopaminérgicos, que funciona como gatilho para os movimentos voluntários se iniciarem, não funcionou quando os animais já estavam em movimento.
 
O comportamento das células cerebrais foi testado nos ratinhos em ações espontâneas - os roedores podiam estar quietos ou andar quando quisessem - e em ações de estímulo-recompensa em que os animais tinham de carregar numa alavanca para acederem a açúcar.
 
Em ambas as situações, foi registado um pico de atividade nos neurónios que produzem dopamina antes da iniciação do movimento, de acordo com Rui Costa.
 
Num próximo passo da investigação, os cientistas pretendem aferir de que forma os resultados obtidos podem "tentar melhorar os tratamentos" da doença de Parkinson, "associando-os à vontade de iniciar o movimento".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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