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Locais pessoais revelam personalidade de quem os habita

11 março 2002
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É daqueles que gosta de trabalhar numa secretária arrumadinha e viver numa casa onde tudo está no lugar certo? Ou, pelo contrário, não consegue pensar sem ter centenas de papéis espalhados por todo o lado?
 

Se o seu estilo é mais o «arrumadinho», fique a saber que um escritório limpo e organizado pode indicar que quem o utiliza é consciencioso. Mas, se espalha os livros e revistas por todo o lado, é uma pessoa receptiva a novas ideias.
 

 

Estas são apenas algumas dicas que saíram de um novo estudo norte-americano. Sam Gosling, psicólogo da Universidade do Texas, em Austin, foi quem chefiou a investigação. Para o especialista, «as pessoas deixam traços da personalidade nos espaços em que vivem, e os observadores tiram conclusões, muitas das quais válidas, a partir desses locais».
 

 

«Observadores» são, segundo o especialista, todos os que visitam a casa de familiares e amigos. Mas estas técnicas de análise psicológica há algum tempo que também são utilizadas pela polícia quando efectuam uma busca.
 

 

É que, segundo o especialista, a arrumação ou desarrumação de um local fornece pistas sobre a personalidade de alguém. "Tal como o FBI (a polícia federal norte-americana) que inspecciona o ambiente quando procura pistas sobre o comportamento criminoso de alguém, parece que também podemos usar esses espaços para procurar informações sobre o comportamento diário de uma pessoa", acrescentou Gosling.
 

 

Quartos e escritórios
 

 

Ao todo, a equipa de investigadores avaliou 94 escritórios e 83 quartos de pessoas. Das observações feitas nos locais, os investigadores conseguiram descobrir pessoas com comportamentos semelhantes.
 

 

E segundo a opinião dos próprios habitantes dos quartos ou do local de trabalho, bem como de amigos e companheiros de trabalho, a percepção dos investigadores também foi significativamente precisa, em particular entre o grupo que analisou os quartos privados.
 

 

A percepção dos observadores foi mais «apurada» na identificação da receptividade das pessoas a novas ideias, em comparação com os ambientes que habitam ou trabalham.
 

A capacidade de extroversão e estabilidade emocional da pessoa também foi analisada com precisão a partir da avaliação do escritório ou do quarto.
 

 

Os participantes do estudo usaram um conjunto de informações para determinar a personalidade da pessoa. Por exemplo, para avaliar se uma pessoas era conscienciosa, os observadores procuraram por tópicos como limpeza e organização. Para constatar a aceitação das pessoas às novidades, usaram elementos que reflectiam curiosidade, imaginação e uma ampla variedade de interesses, o que era detectado com base na organização do espaço, na aparência não-convencional e na quantidade ou na variedade de livros ou CDs.
 

 

Dois mundos diferentes
 

 

As pessoas conscientes tinham salas bem organizadas e elegantes, enquanto os indivíduos abertos a novidades tinham escritórios organizados de modo diferente, não-convencionais, relataram os cientistas.
 

 

"Naturalmente, os seres humanos querem aprender mais coisas sobre os outros: quem é um potencial inimigo, quem é uma pessoa de confiança, quem poderá tornar-se companheiro. Para tal recorrem a qualquer informação que esteja disponível", disse Gosling. "Isso demonstra que os nossos espaços são fontes muito ricas de informação sobre nós mesmos."
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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