Mosto da uva pode reduzir danos da radioterapia

Tese de doutoramento reúne equipas espanhola e brasileira

15 junho 2011
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Os efeitos de um antioxidante presente no mosto da uva, a quercetina, pode ser benéfico na redução dos danos no sistema nervoso produzidos pela radioterapia usada no tratamento do cancro, aponta um estudo do Instituto de Biomedicina da Universidade de León (Ibiomed), Espanha.

 

O mosto é o sumo obtido das uvas, após serem espremidas, destinado à fermentação alcoólica para a elaboração do vinho.

 

Estudos prévios realizados pela Ibiomed e pela Universidade Federal de Santa Maria, Brasil, já tinham mostrado que existem efeitos antioxidantes em diferentes componentes do mosto, trabalhando principalmente com a quercetina, a rutina, o ácido gálico, o ácido caféico e o resveratrol.

 

No início, o grupo de investigadores brasileiros trabalharam as propriedades da melatonina dos extractos sólidos da uva, principalmente na pele. Posteriormente, a bebida foi distribuída entre voluntários humanos para testar os efeitos benéficos da actividade antioxidante da uva, observando, através das análises sanguíneas realizadas aos voluntários antes e depois de consumirem o mosto, diferenças "significativas" na capacidade antioxidante perante os raios gama.

 

Com estes dados, os cientistas espanhóis dedicaram-se a analisar os efeitos da quercetina sobre os danos provocados pela radiação, a longo prazo, uma área menos explorada que a radiação num curto espaço de tempo. Para isso realizaram um estudo com ratinhos da raça Wistar, onde foram avaliados, tanto os efeitos na fase aguda, equivalente a três dias de radioterapia em seres humanos, como a longo prazo, de 30 dias. Os cientistas tiveram em conta que as sessões de radiação nos roedores eram maiores do que nos seres humanos, ou seja, um mês de tratamento em ratos equivale a meio ano de tratamento em seres humanos.

 

O grupo separou os ratinhos em dois grupos diferentes: a um deram água com açúcar e ao outro mosto, para que o bebessem de forma voluntária. Os cientistas explicaram, em comunicado, que “para conhecermos os benefícios para o consumo humano devemos repetir o comportamento humano: ninguém bebe apenas o sumo, geralmente, combina-o com água e bebe-o durante todo o dia”.

 

O nível de radiação a que os animais foram submetidos na experiência foi o equivalente a uma pessoa submetida a radioterapia.

 

O resultado mais significativo desta investigação foi que os fígados dos ratinhos que não beberam mosto estavam 25% menores do que os que tinham consumido. Além disso, também observaram mudanças significativas nas enzimas antioxidantes, especialmente no denominado superóxido dismutase.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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