Moscas tsé-tsé têm os dias contados

Radiação pode extinguir causador da doença do sono

07 setembro 2004
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 O Quénia vai usar radiação nuclear para esterilizar e tentar erradicar as moscas tsé-tsé, que transmitem a doença do sono. Embora seja um processo caro e potencialmente perigoso, o director do Instituto de Pesquisa de Tripanosomíase do Quénia, Joseph Ndongu, defendeu o programa. «Vale a pena correr o risco, especialmente quando se pensa que este é um flagelo que há séculos ameaça muitas pessoas, e causou tantas perdas humanas, tantos prejuízos à produtividade», justificou o responsável às agências internacionais.  A técnica já apresentou resultados positivos em Zanzibar, e também teve eficácia na erradicação de uma praga que atacava rebanhos de ovelhas na Líbia. As moscas tsé-tsé, endémicas em 36 países africanos, hospedam parasitas mono-celulares chamados tripanossomas. Quando uma mosca morde um mamífero, os parasitas invadem a corrente sanguínea. Nos seres humanos, isto pode provocar uma anemia que leva à debilidade do organismo. Estima-se que mais de 500 mil africanos estejam infectados. As vítimas afectadas são, na sua maioria, a população rural, onde o diagnóstico médico é raro e a causa de morte, com frequência, não fica totalmente esclarecida. Dez milhões de quilómetros quadrados das ricas pastagens e terras aráveis mais férteis na região subsaariana de África estão infestados com a mosca. Como as únicas células que se dividem continuamente na mosca adulta do sexo masculino são os espermatozóides, a mosca não sofrerá danos – mas a radiação rompe os cromossomas no esperma, tornando-a geneticamente estéril e incapaz de se reproduzir. Quando uma mosca do sexo feminino tem relações sexuais com um macho da espécie, ela supõe que está fértil e não se acasalará novamente pelo resto da vida. Como resultado disso, a população de moscas pode, potencialmente, diminuir bastante. No entanto, alguns especialistas têm sérias dúvidas se a eficácia da técnica é suficiente para justificar os custos. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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