Moscas «sonolentas»...

... desvendam a genética do sono

23 outubro 2001
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Um estudo recente com moscas-da-fruta «sonolentas» está a ajudar os cientistas a entenderem melhor a genética do sono.
 

 

Uma equipa de investigadores da Universidade da Pensilvania, na Filadélfia (EUA), verificaram que um gene conhecido como Creb pode desempenhar uma função fulcral quer para permanecer acordado quer para ter uma boa noite de sono.
 

 

Estas conclusões resultam de uma pesquisa com a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) mas uma vez que este gene também é encontrado em mamíferos, podem oferecer informações sobre o processo do sono humano, como afirmou Joan C. Hendricks, coordenadora deste trabalho, à Reuters.
 

 

A compreensão da necessidade de dormir é essencial para avaliar os distúrbios do sono e para encontrar outras formas, além da cafeína, para ajudar a manter a vigília. O maior objectivo dos trabalhos desta equipa é «tentar entender a genética do sono.»
 

 

Como se obtêm as moscas«sonolentas»?
 

 

Tudo começa com uma simples mosca que, como os seres humanos, precisa descansar mas é privada do sono e, desta forma, fica sonolenta. Esta espécie entomológica possui vários genes que podem ser analogamente relacionados com o sono e com várias funções neurológicas humanas.
 

 

Neste trabalho em particular, a equipa de Hendricks estudou o gene da Creb (proteína de ligação do DNA ao AMP cíclico) em função do seu envolvimento (teoricamente proposto) no sono e em funções neurológicas como a aprendizagem e a memória, sendo o sono considerado como o «dispositivo de recarga» do circuito neuronal envolvido naquelas funções neurológicas.
 

 

De acordo com Hendricks, pouco se sabe sobre a razão por que precisamos de dormir e o que ocorre de errado com algumas pessoas quando são privadas do sono. De acordo com os resultados obtidos por Hendricks e seus colaboradores, o corpo tem, de facto, «apetite de sono».
 

 

Os resultados do estudo
 

 

Nas experiências realizadas com moscas geneticamente modificadas, verificou-se que quanto mais tempo as moscas fossem mantidas despertas (privadas de sono) maior era a actividade da Creb. Ao invés, quando a actividade desta proteína foi bloqueada as moscas precisaram descansar para se recuperarem dos períodos de privação de sono.
 

 

Além disso, os pesquisadores verificaram que em moscas normais (não modificadas) os períodos de falta de sono também provocaram um aumento da actividade da Creb e este aumento manteve-se durante o período de descanso.
 

 

Estes resultados foram publicados na passada segunda-feira na edição on-line da revista Nature Neuroscience.
 

 

Sono de qualidade, memória e aprendizagem
 

 

Segundo os autores deste estudo, os resultados sugerem que a Creb é fundamental quer para a manutenção da vigilia quer para a recuperação da privação do sono.
 

 

A possibilidade do papel que o gene codificador da Creb desempenha na regulação da vigília e do sono ter, também, alguma relação com a manutenção de funções neurológicas como a aprendizagem e a memória exige mais estudos, destacam os mesmos investigadores no artigo da Nature Neuroscience.
 

 

Para a coordenadora da investigação, este gene parece estar relacionado com a obtenção de um «sono bom e de qualidade».
 

 

Ela acredita que o estudo do gene da Creb, assim como de outras moléculas envolvidas na regulação do sono, será um grande contributo para a descoberta de tratamentos mais eficazes de distúrbios do sono assim como para revelar outras formas, além da estimulação do sistema nervoso, de ajudar as pessoas que precisam ficar acordadas como as que sofrem de narcolepsia, por exemplo.
 

 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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