Mortes no Reino Unido devido à Doença das Vacas Loucas relacionadas com carne infectada

Primeiro estudo que mostra ligação directa entre a doença e consumo de carne infectada

21 março 2001
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As autoridades sanitárias de Leicestershire, no Reino Unido, publicaram hoje um relatório que mostra as conclusões de um estudo às mortes de 5 pessoas numa aldeia da região, devida à variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD), a correspondente humana da Doença das Vacas Loucas.
 

 

Quatro destas mortes foram irrefutavelmente ligadas ao consumo de carne infectada que compravam em talhantes tradicionais locais, que matavam os próprios animais. Este tipo de comércio é hoje ilegal no país. Este é o primeiro estudo que relaciona consumo de carne infectada com o desenvolvimento de vCJD.
 

 

O estudo é o primeiro também a dar uma estimativa do período de incubação da doença. Os investigadores descobriram que o período de exposição dos 5 indivíduos ao agente infeccioso foi entre 1980 e 1985 e tiveram os primeiros sintomas da doença entre 1996 e 1999. Assim, a equipa concluiu que o período de incubação da doença foi de 10 a 15 anos.
 

 

Os autores, questionados sobre o facto de morrer gente tão nova na Grã-Bretanha com a doença, explicam que estes podem sucumbir mais depressa (com um período de incubação menor). Além disso, nem toda a gente que come carne infectada desenvolve a doença, o que poderá a ter a ver com a dose ingerida ou com a constituição da pessoa, dizem os especialistas.
 

 

Os investigadores prevêem como tudo se passou: os talhantes daquela região terão tido a infelicidade de receber os poucos animais infectados com a doença, entre 1980 e 1985, quando ela foi inicialmente detectada no país. Na altura o consumo de cérebro dos animais (mioleira) era baixo, mas certas pessoas faziam-no. Quando os talhantes cortaram os cérebros espalharam material gelatinoso infectado por toda a loja (bancada, facas, mãos, etc.), infectando outro material. E foi ao consumir carne daqueles talhos que as pessoas ficaram infectadas.
 

 

Os autores afirmam que tudo isto aconteceu em circunstâncias muito raras e pouco prováveis de se repetirem e portanto não acreditam que acontecimentos semelhantes tenham ocorrido noutras partes do país.
 

 

Mas outra conclusão alarmante do relatório foi a de que, como a exposição ao material infectado deve ter sido baixa, a dose necessária para infectar as pessoas também deve ser baixa e portanto o prião (agente infeccioso da BSE) pode ser altamente infeccioso.
 

 

Autoridades no país já estão a analisar o relatório e a estudar as possíveis conclusões para futuras medidas de prevenção a serem tomadas. A questão do período de incubação, por exemplo, pode dar uma estimativa da futura magnitude da epidemia.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist e Reuters

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