Morte por causas evitáveis estão a aumentar

Alerta um especialista da Universidade de Coimbra

24 novembro 2014
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A morte por causas evitáveis estão a aumentar nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e no sul e interior do país, alertou um especialista da Universidade de Coimbra.
 

A geógrafa e investigadora na Universidade de Coimbra, Paula Santana, defende que se continuam a verificar desequilíbrios geográficos que se traduzem em desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
 

A especialista tem trabalhado os indicadores da saúde dos portugueses nos últimos 40 anos e detetou algumas “áreas de sinal de alerta” no que diz respeito à mortalidade evitável sensível à prevenção primária.
 

Este indicador corresponde a um conjunto de causas de morte - cancro da traqueia, brônquios e pulmão, doença isquémica do coração, doença crónica do fígado e cirrose, e acidentes de trânsito com veículo a motor - ocorridas antes dos 75 anos de idade que poderiam ter sido evitadas através de medidas eficazes de prevenção das doenças e ações multissectoriais de promoção da saúde.
 

Em declarações enviadas à agência Lusa, Paula Santana recordou que, nos últimos 20 anos, “as mortes consideradas evitáveis pela prevenção da doença e promoção da saúde diminuíram consideravelmente em Portugal: menos 37% nos homens e menos 42% nas mulheres”.
 

A investigadora destaca “a redução nas mortes por doença isquémica do coração (menos 50% nos homens e menos 57% nas mulheres), causa considerada evitável tanto pela prevenção primária como pelo acesso atempado e efetivo a cuidados médicos”.
 

Contudo, a investigadora refere que “esta diminuição não ocorreu de forma homogénea em todo o território. As regiões evoluíram a ritmos diferentes em função da evolução da demografia, das acessibilidades e das condições económicas e sociais”, disse.
 

Por este motivo, “continuam a verificar-se desequilíbrios geográficos que se traduzem em desigualdades em saúde”.
 

De acordo com Paula Santana, cerca de 48% da população reside em municípios onde a mortalidade evitável associada à prevenção primária “melhorou muito”, diminuindo e ficando abaixo do valor de Portugal continental.
 

Neste caso, destaca-se a faixa litoral centro e norte, à exceção de alguns municípios na Área Metropolitana de Lisboa e Porto. “Estas duas últimas áreas juntam-se a um conjunto de municípios localizados no sul e interior centro e norte (nos quais reside 35% da população) onde, em sentido inverso, as mortes aumentaram significativamente”, refere Paula Santana.
 

A especialista apresenta estas zonas como “áreas de sinal de alerta” para um conjunto de mortes que poderiam ter sido evitadas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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