Morreu o Super-Homem

Christopher Reeve deixa história no cinema e na ciência

12 outubro 2004
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O actor que ficou célebre ao protagonizar o filme «Super Homem» faleceu no Hospital de Northern Westchester, em Nova Iorque, depois de ter entrado em coma devido a uma paragem cardíaca. O actor Christopher Reeve, de 52 anos, aceitou o desafio de personificar uma das mais carismáticas personagens de banda-desenhada e ficou para sempre ligado ao repórter Clark Kent que, em momentos de aflição, despe o seu fato engomado e transforma-se num herói dotado de uma força colossal e de visão raio-X.A experiência nos palcos e o gosto pelas emoções fortes - tinha carta de piloto e recusava duplos - fez com que Reeve fosse o escolhido entre 200 candidatos. Mas esse mesmo gosto pela vida valeu-se um acidente ao cair de um cavalo. Desde que se tornou conhecido, Christopher Reeve lutou por ser uma voz activa em questões políticas e sociais. O acidente, quase fatal, obrigou-o a ficar preso a uma cadeira de rodas e a respirar por um ventilador. Mas não travou a sua luta pelos direitos dos deficientes motores, chegando mesmo a criar uma fundação com o seu nome para melhorar a investigação na área da medula espinal e das lesões cervicais. Democrata assumido, pressionou o Congresso norte-americano para aumentar o valor da cobertura dos seguros em caso de situações de invalidez. Há quatro anos, tinha conseguido voltar a mexer o dedo indicador e a sentir algumas partes do corpo. Na autobiografia «Still Me», que escreveu em 1998, equiparou a vida artística às convicções sociais. E nunca esqueceu «Super-Homem», sublinhado que «o que o torna num herói não são os seus poderes, mas a sabedoria e a maturidade para os usar da melhor maneira».Desde o acidente, Reeve tornou-se um activista em defesa das investigações com células embrionárias, por acreditar que avanços científicos nessa área possibilitaria que um dia voltasse a andar.Investigações com células embrionárias têm-se intensificado, dado existirem provas científicas que no futuro essas células possam actuar como substitutas em tecidos lesionados, como em doenças neuro-musculares ou nos casos de Alzheimer e Parkinson.Reeve tornou-se um forte crítico do governo Bush pela sua recusa em financiar investigações com células embrionárias, alegando motivos éticos. Em declarações públicas, no entanto, o presidente norte-americano George Bush disse que o actor era um «exemplo de coragem, optimismo e auto-determinação e um modelo para milhões de americanos». Bush não se referiu à luta de Reeves pela investigação com células embrionárias, mas destacou o activismo do actor «na sua dedicada defesa daqueles que possuem deficiências físicas».O democrata John Kerry, por outro lado, saudou o actor como sendo «um herói». E justificou: «Ele estava empolgado com o grau que foi atingido na discussão sobre as células-embrionárias.  Sei que um dia nós iremos realizar o sonho de Chris».Segunda-feira, Kerry afirmou durante um discurso no Novo México que «sem sair da sua cadeira de rodas, Reeve foi capaz de oferecer um grande avanço para as pessoas que partilhavam da sua condição».De acordo com o médico do actor, Raymond Onders, pessoas que sofrem lesões graves na coluna vertebral, como Reeve, costumam ter uma expectativa de vida de no máximo de sete anos. O actor viveu por nove anos após seu acidente.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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