Morrer por amor…

43% das mulheres tentam suicídio após discussão

16 janeiro 2004
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 Mais de 43% das mulheres que tentaram o suicídio e falharam, fizeram-no depois de uma discussão com o seu companheiro. Esta é uma das conclusões de um estudo apresentado ontem em Lisboa, onde se demonstrou a relação entre o comportamento suicidário feminino e a instabilidade das relações afectivas. De acordo com os dados divulgados pelo autor, Mário Lourenço, 74% das mulheres que procuraram a própria morte admitiram agir com base em problemas afectivos de diversos níveis, enquanto que 69% das participantes não programaram o acto, agindo de forma impulsiva.Os abusos sexuais vitimaram 13,8% das inquiridas e os maus-tratos marcaram pelo menos um quinto das mulheres. Por outro lado, motivos materiais, como as dificuldades económicas, não influenciaram a decisão em quase 75% dos casos. «Estas mulheres remetem contra si próprias um impulso dirigido ao outro», afirmou o investigador, para quem este tipo de comportamento é «um grito de alerta». Segundo o médico, os resultados do estudo, divulgados na Torre do Tombo, no âmbito do 3.º Simpósio de Sexologia, reflectem «uma existência desequilibrada», marcada pelo tédio, a ansiedade e a «ausência de um projecto de vida definido».Preocupado com o grande número de para-suicidas - que praticam o acto sem sofrer consequências fatais - nas urgências do Hospital de Guimarães, o psiquiatra tentou traçar o perfil destas mulheres, através de questionários.A amostra reuniu 58 participantes, todas do sexo feminino, que tentaram matar-se através da ingestão de medicamentos, apresentando já sinais de um quadro afectivo instável. Através da análise das respostas, determinou-se a média de idades, 30,5 anos, e reuniram-se características comuns: um forte sentimento de culpa e de falta de apoio em casa, assim como uma grande fragilidade em lidar com problemas íntimos. O facto de muitas destas mulheres tomarem anti-depressivos, remete, segundo o médico, para questões de saúde pública: «Temos que encontrar alternativas, em vez de continuar a prescrever fármacos. O que estas mulheres precisam é de ser ouvidas.» Em Portugal apenas 25 por cento dos suicídios consumados são cometidos por mulheres, mas as estatísticas tendem a inverter-se quando se pensa no para-suicídio. São as mulheres quem mais tentam matar-se, embora recorram a meios menos radicais do que os homens. Nas palavras do médico: «Hoje em dia já não se morre por amor...mas quase».Um outro estudo apresentado ontem no simpósio aponta para o facto de uma em cada quatro estudantes universitárias  diz ter sido vítimas de experiências sexuais forçadas. Os beijos e carícias e a coacção sexual, ambos resultantes do uso de pressão por argumentos verbais, foram o tipo de agressão mais frequente. As conclusões resultam de um inquérito a 837 alunas de sete instituições de ensino superior, realizado no âmbito de uma tese de mestrado. São 27 por cento as estudantes universitárias que afirmam ter sido vítimas de «elações sexuais forçadas» uma categoria que inclui a coacção sexual (experiências sexuais na sequência de argumentos verbais ou posição de autoridade -13,3 por cento), os contactos indesejados (o que inclui beijos e carícias - 6,8 por cento), a tentativa de violação (três por cento) e a violação (3,8). A tese chama-se «Relações sexuais forçadas em estudantes universitários» e é da autoria da psicóloga clínica Fátima Gameiro. Fontes: Diário de Notícias e Público

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