Morfina: como aumenta a dor?

Estudo publicado na “Nature Neuroscience”

10 janeiro 2013
  |  Partilhar:

Apesar de a morfina ser o tratamento de eleição para as dores de elevada intensidade, por vezes este pode agravar a dor. O estudo publicado na “Nature Neuroscience” dá conta como este processo ocorre.
 

“O nosso estudo identificou a via molecular através da qual a morfina pode aumentar a dor e sugere novas formas de tornar este medicamento eficaz para mais pacientes”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Yves De Koninck.
 

Os investigadores da Université Laval, no Canadá, explicaram que quando a morfina não é capaz de reduzir eficazmente a dor há a tendência de aumentar a dose. Nos indivíduos com tolerância à morfina este aumento de dose produz na realidade um alívio na dor. Contudo, por vezes, o aumento de dose pode, paradoxalmente, agravar a dor.
 

Os especialistas na dor pensavam que a tolerância ou a hipersensibilidade eram simplesmente diferentes reflexos da mesma resposta. No entanto, este estudo apurou que as vias envolvidas no processo de tolerância à morfina são bastante diferentes daqueles que induzem a dor.
 

Os autores do estudo descobriram que a hipersensibilidade à dor induzida pela morfina é causada pelo um tipo de células encontradas na espinal medula, as microglia. Quando a morfina atua em determinados recetores destas células, há ativação de uma cascata de eventos que culmina com o aumento, em vez da diminuição, da atividade de células nervosas envolvidas na transmissão da dor.
 

Os investigadores também descobriram que a proteína KCC2, que controla os sinais sensoriais para o cérebro, era a responsável por estes efeitos secundários da morfina. Yves De Koninck explicou que a morfina inibe a atividade desta proteína, o que conduz a uma perceção anormal da dor. “Caso a atividade da KCC2 seja normalizada poderemos impedir a hipersensibilidade à dor”, disse o investigador.
 

Atualmente os investigadores estão a testar moléculas capazes de preservar as funções da KCC2 e consequentemente impedir a hipersensibilidade à dor.
 

O coautor do estudo, Michael Salter, acrescentou ainda que esta descoberta poderá ter um grande impacto no indivíduos com vários tipos de dor intratável, como aquela associada ao cancro ou danos nervosos, que interromperam a medicação com morfina ou outro tipo de opiáceos devida à hipersensibilidade à dor.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.