Monóxido de carbono para tratar doentes cardíacos?

Estudo em ratinhos lança outras utilidades para o gás venenoso

14 abril 2003
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Já pensou que o monóxido de carbono – gás venenosos emitido por fornos e escapes de automóveis - possa ter efeitos benéficos no organismo? Até ao momento, este gás potencialmente mortífero, nunca tinha mostrado utilidades medicinais. Mas, um grupo de cientistas norte-americano, refere que o monóxido de carbono mostrou-se útil para tratar problemas de artérias danificadas em angioplastias e transplantes, se inalado em concentrações muito baixas.
 

 

Os resultados baseiam-se, por enquanto, em testes feitos em ratinhos, mas, segundo os cientistas, poderá ajudar na terapia em humanos. As artérias entupidas costumam ser desobstruídas através da angioplastia, um procedimento que consiste num pequeno balão que é inserido nas artérias e inflado.
 

 

Mas a angioplastia pode danificar as células que revestem o vaso sanguíneo, fazendo com que cresçam e engrossem. Problemas semelhantes podem ocorrer quando as artérias são transplantadas. Esse engrossamento pode vir a exigir tratamento no futuro.
 

 

Numa entrevista à CNN, investigadores da Universidade de Pittsburgh e da Escola de Medicina de Harvard relataram que a exposição de ratos a baixos níveis de monóxido impede esse excessivo crescimento celular. Este efeito protector do monóxido de carbono deriva da sua capacidade de bloquear a activação e a actividade das células brancas do sangue, que normalmente se deslocam para o local da lesão e causam inflamação. O gás também parece reduzir a proliferação de células musculares ao longo das artérias, segundo os cientistas.
 

 

As cobaias submetidas a angioplastias foram expostas ao gás por uma hora, antes do procedimento, enquanto os ratos com enxertos de artérias foram expostos várias semanas depois dos transplantes. O nível de exposição foi de menos de 1/25 avos do que seria considerado tóxico, disse um dos cientistas.
 

 

Os animais não sofreram reacções adversas e agora a experiência está a ser feita em porcos, segundo declarações dos cientistas à edição on-line da revista «Nature Medicine».
 

 

Mas esta notícia não é, de todo, nova. Há cerca de dois anos, David J. Pinsky, da Universidade de Columbia, relatou que o monóxido de carbono poderia ser benéfico para animais que tivessem sofrido grave lesão pulmonar, por ajudar a bloquear a formação de coágulos sanguíneos.
 

No entanto, apesar de os resultados serem promissores, para os cientistas é prematuro concluir que essa terapia seria útil em humanos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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