Moluscos marinhos podem ser transformados em anticancerígenos e analgésicos

Portugueses estudam lesmas do mar à procura de novos fármacos

25 novembro 2002
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O Instituto Português de Malacologia arrancou em Albufeira, Algarve, com um projecto de produção em laboratório de moluscos marinhos com o intuito de descobrir novos fármacos anticancerígenos e analgésicos.
 

 

A Técnica de produção de lesmas do mar, projecto desenvolvido pelo biólogo Gonçalo Calado, engloba a criação e reprodução dos animais em laboratório climatizado e equipado com pequenos aquários de 50 litros e outros menores, recriando o ambiente marinho.
 

 

Segundo disse à Agência Lusa Gonçalo Calado, as lesmas do mar, conhecidas pelos cientistas como "opistobrânquios - moluscos gastrópodes" são aparentados com os burriés e as lapas, mas com a característica especial de não possuírem concha e produzirem substâncias químicas bioactivas de defesa.
 

 

O projecto de criação e reprodução de lesmas do mar em laboratório, que vai ficar instalado no parque temático Zoomarine, em Albufeira, obriga à apanha na costa portuguesa de lesmas do mar reprodutoras e a fazer em cativeiro, através dos ovos, a criação de larvas, explicou.
 

 

O biólogo marinho explicou que há cerca de 20 anos, na espécie de lesmas do mar conhecida por "Dolabella auricolaria", os investigadores descobriram a substância química "dolastatina", um dos mais fortes anticancerígenos até agora conhecido.
 

 

A partir dessa altura, as pesquisas intensificaram-se no sentido de analisar as substâncias químicas produzidas por esses organismos marinhos para afastar predadores.
 

 

Outro exemplo apontado pelo investigador é o caso da substância AZT, um dos químicos mais utilizados no tratamento da SIDA, e que foi sintetizado com base em substâncias químicas retiradas de uma esponja que se reproduz nas Caraíbas.
 

 

Acontece, acrescentou, que esses moluscos são animais muito pequenos e pouco abundantes na natureza, necessitando os laboratórios de grandes quantidades de exemplares para os investigadores os analisarem quimicamente.
 

 

"Se um organismo marinho é gordo, carnudo, lento e colorido, o Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos da América interessa-se por ele. Tal criatura deve ter algum mecanismo de defesa contra predadores e normalmente essa arma é química", disse.
 

 

Nesse contexto, o biólogo marinho Gonçalo Calado desenvolveu um projecto específico para reproduzir esses invertebrados em cativeiro, ideia distinguida com o "Prémio Milénio Sagres/Expresso 2002, instituído pelo semanário Expresso, com uma dotação de 25 mil euros.
 

 

De acordo com o especialista, o montante do prémio destina- se à criação do laboratório, em sala cedida pelo Zoomarine para o efeito ao Instituto Português de Malacologia, associação científica sem fins lucrativos que estuda os moluscos em Portugal e se responsabiliza pelo projecto.
 

 

O cientista disse à Agência Lusa que no início do próximo ano prevê começar a desenvolver as técnicas de cultura capazes de assegurar a reprodução de lesmas do mar em quantidades suficientes para serem estudadas quimicamente.
 

 

Fonte: Lusa
 

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