Modo de cozinhar a carne afeta o risco de cancro do rim

Estudo publicado na revista “CANCER”

11 novembro 2015
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A adoção de uma dieta rica em carne pode conduzir ao desenvolvimento do carcinoma das células renais através do consumo de compostos carcinogénicos produzidos através de determinadas técnicas de cozedura, atesta um estudo publicado na revista “CANCER”.
 

Os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, também descobriram que os indivíduos com mutações específicas são mais suscetíveis aos compostos prejudiciais produzidos quando a carne é cozinha a elevadas temperaturas.
 

A incidência do carcinoma das células renais, a forma mais comum do cancro de rim, tem vindo a aumentar nas últimas décadas, e tem sido sugerido que a dieta ocidental é, parcialmente, a culpada. Contudo, nem sempre tem sido claro por que motivo um maior consumo de carne aumenta o risco de cancro do rim.
 

Alguns especialistas defendem que esta associação pode ser resultante da ingestão de compostos criados quando a carne é cozinhada de determinada forma. Cozinhar a carne a elevadas temperaturas ou sob chama aberta, tal como é o caso do churrasco, pode resultar na formação de substâncias carcinogénicas, incluindo 2-amino-1-metil-6-fenil-imidazo (4,5-b) piridina (PhIP) e amino-3, 8-dimetilimidazo (4,5-f) quinoxalina (MeIQx).
 

De forma a tentar caracterizar melhor os fatores que contribuem para o risco do cancro do rim, os investigadores analisaram os padrões alimentares e informação genética de 659 pacientes recentemente diagnosticados com carcinoma das células renais e de 699 indivíduos saudáveis.
 

O estudo apurou que havia um risco elevado de carcinoma das células renais associado tanto ao consumo de carne, como de agentes mutagénicos produzidos durante a sua preparação. Os investigadores constataram que os pacientes com cancro do rim consumiam mais carne vermelha e branca, comparativamente com os indivíduos saudáveis. Adicionalmente, verificou-se que havia um aumento de 54% do risco de cancro associado à ingestão de PhIP e um aumento de quase duas vezes associado ao consumo de MeIQx. Este estudo foi o primeiro a identificar uma ligação entre o risco de cancro do rim e a ingestão de MeIQx.
 

Os resultados sugerem que o modo de cozinhar é um fator importante que contribui para um risco elevado de carcinoma das células renais associado ao maior consumo de carne, tanto vermelha como branca.
 

Através da análise de genes conhecidos por estarem associados ao carcinoma das células renais, os investigadores descobriram que o elevado consumo de substâncias carcinogénicas pode ser particularmente significativo para um determinado subgrupo da população.
 

O estudo apurou que os indivíduos com variações no gene, ITPR2, são mais vulneráveis aos efeitos do consumo de PhIP. Uma vez que este gene tinha sido previamente associado ao risco de cancro do rim e de obesidade, os resultados sugerem que esta associação pode ser parcialmente explicada pela exposição às substâncias carcinogénicas produzidas durante a confeção da carne.
 

"Os nossos resultados apoiam a redução do consumo de carne, especialmente carne cozinhada a elevadas temperaturas ou sobre chama aberta, como uma intervenção de saúde pública para reduzir o risco de carcinoma das células renais ", conclui o líder do estudo, Xifeng Wu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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