Modelos matemáticos ajudam a perceber mecanismos biológicos

«... existem muito poucos modelos em biologia humana...» - Gil Ferreira

16 fevereiro 2003
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Uma equipa de cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL) está a aplicar modelos matemáticos na análise de problemas biológicos, como a regulação da concentração de cálcio no sangue.
 

 

"Os modelos matemáticos podem ajudar os médicos a perceber os mecanismos que, a partir de uma anomalia física ou química, geram o quadro clínico de uma doença", explicou, em declarações à Agência Lusa, Hugo Gil Ferreira, um dos investigadores do Centro de Química Fina e Biotecnologia (CQFB) da FCT/UNL envolvidos no projecto.
 

 

Os modelos matemáticos são expressões matemáticas ou, frequentemente, programas de computador usados para simular processos ou sistemas muito variados.
 

 

Modelos deste tipo são utilizados, por exemplo, por engenheiros para desenhar estruturas ou máquinas, por economistas para interpretar a situação mundial ou do país e por meteorologistas com o objectivo de esclarecer observações sobre o clima.
 

 

"Os seres vivos são extraordinariamente complexos e portanto a descrição do seu comportamento assenta na criação de modelos que contenham uma descrição quantitativa dos componentes relevantes", explicou.
 

 

No entanto, sublinhou Gil Ferreira, "existem muito poucos modelos em biologia humana".
 

 

São exemplos os modelos da diabetes (um grande projecto em curso financiado pela União Europeia), modelos de certas funções do sistema nervoso ou modelos de rins artificiais (as máquinas de hemodiálise).
 

 

Além de auxiliarem os clínicos na compreensão de uma doença, estes modelos são úteis para o ensino de médicos, interessando também à indústria farmacêutica, na esperança de um dia poderem vir a fazer previsões sobre a acção de drogas.
 

 

O grupo da FCT/UNL tem desenvolvido modelos dinâmicos de tecidos que permitem estudar a forma como se processa a reabsorção de alimentos e minerais pelo corpo humano.
 

 

Hugo Gil Ferreira publicou recentemente, em colaboração com J. Raposo e Luís Sobrinho, ambos do serviço de Endocrinologia do Instituto Português de Oncologia, um artigo no "Journal of Clinical Endocrinology and Methabolism".
 

 

O artigo descreve matematicamente a regulação da concentração do cálcio no sangue.
 

 

"No organismo, o cálcio existe sobretudo no osso mas é um elemento com funções muito diversas: contracção muscular, contracção do coração, secreção de glândulas, velocidade de muitas reacções químicas", explicou.
 

 

Segundo Gil Ferreira, a concentração de cálcio no sangue é regulada de maneira muito rigorosa.
 

 

"Quando esta concentração baixa ou sobe muito, porque a regulação está alterada, dá origem a quadros clínicos que podem ser muito graves", disse Gil Ferreira.
 

 

A regulação do metabolismo do cálcio está a cargo de órgãos (glândulas paratiroideias, intestino, osso e rim) e de hormonas (parathormona e calcitriol-derivado da vitamina D).
 

 

"No nosso modelo incluímos todos estes componentes e conseguimos reproduzir um número apreciável de observações publicadas na literatura médica", sublinhou.
 

 

"O modelo que produzimos é de longe o mais detalhado para o metabolismo do cálcio", acrescentou, sublinhando que o facto de o artigo ter sido aceite para publicação na revista mais cotada no campo da endocrinologia significa que os editores consideraram que este modelo poderá ser útil para os clínicos.
 

 

Hugo Gil Ferreira, 69 anos, é licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa e Doutorado em Fisiologia pela Universidade de Cambridge (Reino Unido).
 

 

É professor de Fisiologia do Instituto Abel Salazar da Universidade do Porto e da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, onde se deverá jubilar no final do mês por completar 70 anos.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

A ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado do mundo, morreu
 

 

Os cientistas do Instituto Roslin, Edimburgo (Escócia), puseram termo à vida da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado no mundo a partir de um animal adulto.
 

 

Segundo os peritos do Instituto, que criaram a Dolly há seis anos, o animal estava a sofrer com uma doença galopante do foro pulmonar.
 

 

O animal nasceu em 1996, fazendo sensação em 23 de Fevereiro de 1997, data em que os cientistas do Instituto o apresentaram ao mundo.
 

 

Em 1999, os cientistas notaram que as células da Dolly, clonada a partir de um animal adulto com seis anos, apresentavam sinais de um envelhecimento precoce.
 

 

Alguns cientistas comentaram que a situação da Dolly denunciava que a ciência ainda não permite clonar escapando à marca genética do animal original.
 

 

Um cientista do Instituto Roslin, Harry Griffin, disse que as ovelhas podem viver 11 a 12 anos e que as infecções pulmonares nestes animais são mais comuns nos exemplares mais velhos, particularmente nos que não são mantidos nos campos.
 

 

Segundo a mesma fonte, a Dolly vai ser autopsiada em busca de mais pormenores sobre os seus problemas de saúde.
 

 

Os cientistas haviam anunciado anteriormente que Dolly apresentava sinais de ter desenvolvido artrite, desencadeando comentários sobre os problemas inerentes aos processos de clonagem.
 

 

O cientista Ian Wilmut, o chefe da equipa que criou a Dolly, disse em Janeiro de 2002 que, independentemente da artrite, a ovelha permanecia saudável e dera à luz seis crias.
 

 

Fonte: Lusa

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