Modelo psico- matemático determina possibilidade de divórcio

Técnica testada em 600 casais

16 fevereiro 2004
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Dois professores norte-americanos aliaram psicologia e matemática para conceber um modelo que permite prever com grande fiabilidade o risco de divórcio de um casal.A técnica, testada em mais de 600 casais nos últimos 20 anos, «permite prever em 94 por cento dos casos se o casal se irá divorciar nos cinco anos seguintes» ou durar - afirmou o psicólogo John Gottman ao apresentar quinta-feira o seu trabalho no congresso anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS).Gottman e o colega, o matemático James Murray, ambos da Universidade de Washington, utilizaram como matéria prima registos em vídeo de 15 minutos de centenas de discussões entre casais.Os cientistas atribuíram um ponto por interacção positiva no casal e retiraram um ponto por interacção negativa. Além disso, analisaram e integraram no modelo as expressões faciais e as pulsações cardíacas das duas pessoas.O resultado foi quantificado sob a forma de uma fórmula entre interacções positivas e negativas. «A fórmula mágica é cinco (positivos) contra um (negativo)», explicaram os investigadores, para os quais todos os casais com proporção inferior a cinco contra um estarão ameaçados. «E o modelo é espantosamente fiável», sublinhou Murray.Quando as pessoas mais adaptadas no seu casamento «falam de coisas importantes, elas podem discordar mas também troçar uma da outra e gracejar, o que são sinais de afecto e da existência de relações emocionais», afirmou Gottman.«No entanto, muitas pessoas não conseguem estabelecer essa ligação ou criar um certo sentido de humor. Por isso as discussões significam que essa ligação emocional não se estabeleceu», acrescentou.O investigador destacou ainda a importância das expressões do rosto, como a expressão de desprezo, que considerou «o verdadeiro ácido sulfúrico do amor». O ritmo cardíaco dos intervenientes numa discussão conjugal é igualmente importante. «Acima de 100 pulsações por minuto, o organismo começa a produzir adrenalina, o que torna uma pessoa menos receptiva» aos argumentos da outra, explicou. Na sua perspectiva, existem basicamente três tipos de casamentos estáveis. O primeiro é aquele em que ambos evitam situações de conflito. Quando surge uma diferença de opiniões, afirmou, «nunca discutem. Ouvem-se um ao outro mas nunca tentam impor pontos de vista. Esses casamentos podem ser frios e distantes, mas duram.Outro tipo é o de uma relação volátil, «como dois advogados num tribunal. Discutem por tudo e por nada mas o seu casamento tende a durar». O terceiro é o dos que se ouvem e respeitam um do outro e só raramente discutem. «A matemática permite cartografar visualmente o que se passa numa relação e dá instrumentos de intervenção que podem ser utilizados em terapia matrimonial», afirmou por seu lado Kristin Swanson, professora da Universidade de Washington, que participou no debate.Fonte: Lusa

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