Modelo de placenta pode ajudar a explicar como as infeções são transmitidas

Estudo publicado na revista “Science Advances”

09 março 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um modelo celular da placenta humana que pode explicar como os agentes patogénicos que causam anomalias congénitas, como o vírus Zika, são transmitidos da mãe para o filho, dá conta um estudo publicado na revista “Science Advances”.
 

A placenta é um órgão complexo, ainda pouco conhecido, que apoia o desenvolvimento do feto no útero, alimenta o bebé e fornece uma barreira contra a disseminação de microrganismos da mãe infetada para o feto.
 

“A placenta humana é única e diferente de todas as outras placentas dos mamíferos. Com este novo modelo, nós e os outros investigadores esperamos aprofundar o conhecimento sobre este órgão, analisar a sua função e aprender como se pode evitar a maioria, mas não todas, as infeções maternas que causam problemas para o bebé”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Carolyn Coyne.
 

Atualmente, os investigadores podem obter e estudar linhas celulares da placenta, mas estas células não se fundem espontaneamente para formar as características estruturais do órgão humano. Alguns cientistas estudam células denominadas trofoblastos humanos primários, que são isoladas da placenta após o nascimento. Contudo, estas células não se dividem, podem ser mais difíceis de obter e também mais difíceis de serem manipuladas geneticamente.
 

Neste estudo, os investigadores Universidade de Pittsburgh e do Instituto de Investigação Magee-Womens, nos EUA, decidiram adotar uma abordagem diferente. Foram cultivadas células do trofoblasto num sistema de microgravidade de um biorreator. Os trofoblastos, assim como células dos vasos sanguíneos, foram adicionados a pequenas esferas de dextrano que foram colocadas a girar num recipiente com líquido de cultura de células.
 

As células fundiram-se e formaram sinciciotrofoblastos, assemelhando-se mais a células primárias que revestem a camada mais externa da estrutura em árvore do tecido da placenta humano. Posteriormente, os investigadores testaram as propriedades funcionais do modelo, expondo-o a um vírus e ao Toxoplasma gondii, um parasita encontrado nas fezes de gato que pode conduzir a uma infeção do feto, causando aborto, doenças congénitas e/ou deficiências mais tarde na vida.
 

"Descobrimos que os sinciciotrofoblastos formados apresentam as mesmas propriedades barreira das células normais e resistiram à infeção de um vírus e três estirpes geneticamente diferentes de Toxoplasma gondii. Com este modelo, podemos experimentar diferentes fatores biológicos e verificar o que permite um agente infecioso atravessar a barreira placentária”, explicou um dos coautores do estudo, Jon P. Boyle.
Na opinião do investigador o conhecimento da placenta pode um dia conduzir a formas de impedir danos fetais causados pelas chamadas infeções TORCH, que são provocadas pelo Toxoplasma gondii, vírus da rubéola, citomegalovírus, vírus herpes e o VIH.
 

Os investigadores estão a utilizar este modelo para testar se o vírus Zika e outros agentes patogénicos associados podem infetar as células da placenta e atravessar a barreira placentária.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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