Mobiliário versus bioterrorismo

Móveis «inteligentes» prometem protecção contra poluentes do ar

07 outubro 2002
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Já imaginou: entrar no escritório pela manhã, sentar-se na sua cadeira à frente do computador e uma série de sensores massajarem-lhe as costas enquanto lhe retiram os ácaros da roupa?
 

 

A ideia não parece má, mas Alan Hedge, investigador da Universidade Cornell, Nova Iorque, foi ainda mais longe ao apresentar o projecto de criação de móveis inteligentes.
 

 

No mundo actual, cheio de temores sobre as ameaças do bioterrorismo, Hedge afirma ser possível proteger o trabalhador do futuro de poluentes comuns em ambientes fechados. E como? Por meio do uso de móveis capazes de detectar problemas na qualidade do ar e de proteger as pessoas nos seus locais de trabalho.
 

 

Em entrevista à Reuters, Hedge explicou a sua teoria: «A ideia é embutir na mobília um equipamento capaz de limpar o ar numa área denominada por zona de respiração», refere o cientista, adiantando, no entanto, que «isto não significa limpar todo o ar do escritório, mas apenas o local que circunda a pessoa.»
 

 

Esses móveis «inteligentes» possuiriam sensores automáticos para avaliar a qualidade do ar, monitores, filtros, ventiladores e agentes químicos neutralizadores nos painéis e nas colunas da mobília. O sistema de móveis estaria ligado à rede de canalização do edifício. Esse tipo de sistema de resposta rápida para limpeza do ar teria como objectivo agir na área onde se encontra o trabalhador, entre a altura dos joelhos e logo acima da cabeça.
 

 

Do fumo passivo ao antraz
 

 

O interesse por esse tipo de mobília, explicou o investigador, surgiu em meados da década de 80, em resposta ao aumento da preocupação com o fumo passivo. «À medida que muitos escritórios optaram pela proibição do fumo, o interesse em projectar “móveis inteligentes”»
 

 

Apesar de algumas empresas norte-americanas já usarem estes sistemas, nenhuma delas consegue proteger totalmente o ar que os funcionários respiram, acrescentou o investigador. «Já existem sistemas que podem fazer a “filtragem”, mas, ao invés, não são capazes de detectar a presença de determinados contaminantes nem de responder rapidamente.»
 

 

O investigador também alertou para o facto de o ar dos escritórios ser reciclado por meio de um sistema de tubagem interna e externa, ou seja, capaz de carregar facilmente várias substâncias - incluindo fungos, fumo de cigarro e doenças transmitidas pelo ar - de uma área para outra do edifício.
 

 

Estudos científicos têm demonstrado que o risco de contrair doenças respiratórias é 30 por cento maior em escritórios onde muitos funcionários respiram o mesmo ar reciclado, adiantou o especialista.
 

 

Hedge observou ainda que a ameaça do antraz – após os ataques de 11 de Setembro aos EUA - revelou a facilidade com que poluentes perigosos podem ser introduzidos - particularmente por aberturas externas não-protegidas e tectos falsos internos - e espalhados rapidamente nas instalações.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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