Mito sobre cura da Sida incita violação de crianças em África

Misticismo e leis insuficientes levaram a situação preocupante

04 novembro 2003
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Um mito estranho está a alimentar um crime hediondo na região Sul de África. Segundo a repugnante crença, se alguém quiser ter sucesso no trabalho ou curar-se da Sida, precisa ter relações sexuais com uma menor de idade ou com uma das suas filhas. O resultado de todo este bizarro misticismo é um aumento no número de casos de violação de crianças, particularmente na Zâmbia, um país de 10 milhões de habitantes.Cerca de 20 por cento dos adultos do país estão contaminados com o vírus HIV. E, segundo estimativas, mais de 22 milhões de pessoas em todo o sul da África são portadores do vírus.Quase diariamente, jornais da Zâmbia publicam reportagens sobre violação de crianças.Para o vice-presidente do país, Nevers Mumba, este crime tornou-se um problema sério, com mais de 400 casos registados entre Janeiro e Junho deste ano. Em 2002, no mesmo período, o país registrou 238 casos, ou seja, quase metade.Muitos culpam os curandeiros tradicionais, para os quais a maior parte da população apela em busca de conselhos sobre problemas de saúde, já que poucos têm dinheiro para pagar um médico.Ireen Nkuna é conselheira para crianças vítimas de abuso sexual da Associação Cristã (YWCA) em Lusaka (capital da Zâmbia). Para a responsável, os curandeiros tradicionais estão levar alguns violadores a acreditar que a infecção pelo HIV pode ser revertida se um homem mantiver relações sexuais com uma menor de idade. «Isso é uma tragédia e é algo que está a colocar  em perigo a vida das nossas crianças», desabafa Ireen Nkuna. Segundo a conselheira, a YWCA teve contacto com 110 casos de crianças violadas entre Janeiro e Setembro deste ano.Apesar das acusações explícitas, o director da Associação de Curandeiros Tradicionais da Zâmbia, Rodwell Vongo, nega que os seus  integrantes estejam a ter comportamentos que levem as pessoas a praticar crimes. «Os nossos membros não podem levar as pessoas a acreditar em coisas desse tipo. Nós educamo-los para que não enganem as pessoas convencendo-as de que podem curar a Sida».Se para muitos o principal problema são os curandeiros, para outros, a legislação é o principal entrave a que a situação seja contida. E apesar do governo estar a rever a Lei para criar penas mais severas, a verdade é que actualmente a maior parte dos condenados recebem penas de três meses a cinco anos de prisão. Estas penas, segundo os advogados, são insuficientes para desestimular criminosos em potencial.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet 

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