Missão a Marte: astronautas treinam novo método de reparação de fracturas
11 dezembro 2001
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A primeira missão tripulada a Marte não deve ocorrer antes do ano 2020 mas um grupo de cientistas da NASA associou-se a um grupo de cirurgiões suíços da AO Foundation de modo a assegurar que, se durante a missão ocorrerem fracturas ósseas os próprios astronautas as poderão tratar.
 

 

Este grupo multidisciplinar está a desenvolver um simulador electrónico de simulação de técnicas de cirurgia de reparação de vários tipos de traumatismos, especificamente ósseos. Este simulador destina-se a ser utilizado por cirurgiões, para treinarem os diversos procedimentos cirúrgicos em Terra, e pelos astronautas, para, também, treinarem procedimentos cirúrgicos adequados às situações de risco que poderão surgir numa missão como a viagem a Marte.
 

 

No fundo, trata-se de um protótipo de um simulador onde quer os cirurgiões quer os astronautas poderão treinar todos os procedimentos necessários às diversas intervenções relativas à reparação de traumatismos do sistema músculo-esquelético. Este protótipo estará disponível no ano 2005.
 

 

A AO é uma organização de cirurgiões altamente especializados que, em colaboração com cientistas de outras áreas (física, biologia, etc.) é pioneira no desenvolvimento de dispositivos de fixação interna de fracturas ósseas. A fixação interna de fracturas ósseas envolve a utilização de varetas em aço inoxidável, de placas de titânio, parafusos e pinos destes metais em substituição do gesso convencionalmente aplicado na cicatrização de fracturas há mais de 40 anos.
 

 

Ao contrário da fixação externa por gesso, que imobiliza os ossos fracturados e as articulações mas o engessamento externo acarreta diversos problemas colaterais como edema, dor e vermilhão da pele. A fixação interna, pelo contrário, evita o enrijecimento das articulações, ligamentos e tendões além de oferecer a possibilidade de mobilização sem dor do membro afectado, logo após a cirurgia.
 

 

De acordo com a equipa da AO, a colocação de um dispositivo interno de fixação pode levar uma a quatro horas, dependendo do local, do tipo e da gravidade da fractura. É um procedimento mais económico e a recuperação é mais rápida.
 

 

A AO desenvolveu este método e já treinou mais de 300 mil cirurgiões de todo o mundo na aplicação desta inovadora técnica que já é realizada em alguns países.
 

 

Basicamente, as fracturas são imobilizadas por varetas e/ou placas externas que se fixam os ossos por intermédio de parafusos e pinos aplicados directamente nos ossos.
 

 

Além desta técnica poder ser utilizada na fixação de fracturas, também pode ser aplicada no tratamento da osteoporose ou até em cirurgia facial.
 

 

Este tipo de procedimento tem muitas vantagens numa situação de emergência numa viagem espacial pois nessa eventualidade, os astronautas não dispõem de salas cirúrgicas e a intervenção tem de se realizar numa sala normal. Uma vez que se trata dum procedimento minimamente invasivo que permite a mobilidade logo após a sua realização, é perfeitamente adequado à vida no espaço.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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