Minipulmões desenvolvidos laboratorialmente

Estudo publicado na revista “eLife”

14 novembro 2016
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Investigadores americanos transplantaram minipulmões desenvolvidos em laboratório em ratinhos imunossuprimidos onde as estruturas foram capazes de sobreviver, crescer e amadurecer, dá conta um estudo publicado na revista “eLife”.
 
As doenças respiratórias são responsáveis por quase uma em cinco mortes no mundo, e as taxas de sobrevivência ao cancro do pulmão permanecem baixas apesar dos numerosos avanços terapêuticos alcançados durante os últimos 30 anos. Desta forma, há necessidade de novos modelos fisiologicamente relevantes.
 
Assim, os minipulmões desenvolvidos em laboratório podem ajudar na investigação desta área, uma vez que fornecem um modelo humano para testar fármacos, compreender a função genética, gerar tecidos humanos transplantáveis e estudar doenças complexas, como a asma.
 
Os investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, utilizaram várias vias de sinalização envolvidas no crescimento celular e formação de órgãos para incentivar as células estaminais a diferenciaram-se em minipulmões.
 
Os cientistas, liderados por Jason Spence, já tinham demonstrado que os minipulmões desenvolvidos laboratorialmente apresentavam estruturas semelhantes às vias aéreas que movimentam o ar para dentro e para fora do corpo, os brônquios, e aos pequenos sacos pulmonares que são importantes para a troca gasosa durante a respiração, os alvéolos.
 
Contudo, para superar a estrutura imatura e desorganizada, os investigadores tentaram transplantar os minipulmões em ratinhos, uma abordagem que tem sido amplamente adotada na área das células estaminais. No entanto, muitas das estratégias iniciais utilizadas para transplantar os minipulmões não foram bem-sucedidas.
 
O estudo apurou que, em apenas oito semanas, o tecido transplantado tinha estruturas impressionantes em forma de tubo, similares às vias aéreas pulmonares dos adultos.
 
Os investigadores caracterizaram os minipulmões transplantados como um tecido bem desenvolvido que continha uma camada epitelial altamente organizada a revestir o órgão. Contudo, verificou-se que não houve crescimento de células alveolares nos transplantes.
 
Ainda assim, observou-se a presença de vários tipos de células pulmonares especializadas, como as células produtoras de muco, as células multiciliadas e células estaminais encontradas no pulmão adulto.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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