Mini pulmões criados para estudar fibrose cística

Estudo publicado na “Stem Cells and Development”

25 março 2015
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Uma equipa de cientistas conseguiu criar “mini pulmões” a partir de células estaminais com origem em células da pele de pacientes com fibrose cística.
 
Os organoides desenvolvidos por investigadores da Universidade de Cambridge, Reino Unido, podem ser utilizados para testar novos e potenciais fármacos para o tratamento daquela doença debilitante que afeta o sistema pulmonar.
 
A equipa do Instituto de Células Estaminais de Cambridge Wellcome Trust-Medical Research Council recorreu a células da pele de pacientes que sofriam da forma mais comum de fibrose cística, que é causada por uma mutação no gene CFTR, denominada mutação delta-F508. As células foram depois reprogramadas para um estado pluripotente induzido, que é o estado a partir do qual as células podem desenvolver-se para qualquer tipo de célula no organismo.
 
As células estaminais pluripotentes induzidas (IPSC) foram utilizadas para recriar o desenvolvimento embrionário de pulmões em laboratório através da ativação de um processo conhecido como gastrulação. A gastrulação consiste na formação, pelas células, de camadas distintas, incluindo a endoderme e depois a parte anterior do canal alimentar, a partir do qual se desenvolvem inicialmente os pulmões. 
 
Seguidamente, os investigadores levaram a que aquelas células continuassem a desenvolver-se para se tornarem tecido de vias aéreas distais. As vias aéreas distais são a parte do pulmão responsável pela troca de gases e estão frequentemente implicadas em doenças como o cancro do pulmão, enfisema e fibrose cística. 
 
Com a aplicação de uma coloração fluorescente sensível à presença de cloreto, os investigadores conseguiram verificar se os “mini pulmões” criados estavam a funcionar corretamente. Se estivessem, permitiriam a passagem do cloreto e dando-se assim alterações na fluorescência; as células afetadas pela fibrose cística não permitiriam essa passagem e não se dariam alterações na fluorescência. 
 
A técnica permitiu demonstrar que os “mini pulmões” poderão, em princípio, ser utilizados para testar novos fármacos: quando se adicionou uma pequena molécula que está a ser alvo de testes de laboratório aos “mini pulmões” com fibrose cística, deu-se uma alteração na fluorescência, sinal de que as células estavam a funcionar em comparação com as mesmas células que não tinham sido tratadas com a molécula.
 
Nick Hannan, autor principal do estudo, considera que, de uma certa forma, a equipa criou “mini pulmões”: “apesar de apenas representarem a parte distal do tecido pulmonar, são desenvolvidos a partir de células humanas e assim podem ser mais fiáveis do que a utilização de modelos animais. Podemos usá-los para aprender mais sobre aspetos chave de doenças graves – no nosso caso, a fibrose cística”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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