Micróbios à solta nos hospitais

Lavar as mãos e não usar anéis reduz a proliferação de agentes multi-resistentes

19 dezembro 2001
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No interior dos hospitais, clínicas e centros de saúde existe uma população de microorganismos com características próprias. São difíceis de encontrar em outros locais pois adquirem mutações que os fazem resistentes à acção dos antibióticos. E é por isso que todo o cuidado é pouco. Estudos recentes vem acrescentar mais alguns dados a este problema.
 

 

Segundo três investigações norte-americanas, se os funcionários dos hospitais desinfectarem as mãos com um produto à base de álcool e não usarem anéis, diminuem as infecções provocadas por microorganismos.
 

 

Em números, os estudo indicam, que caso as equipas de saúde cumpram os padrões de lavagem das mãos, a proliferação de bactérias diminui cerca de 40 por cento. É que, segundo os investigadores, a falta de higiene é mesmo a principal responsável pela disseminação de bactérias causadoras de doenças aos pacientes.
 

 

Um estudo suíço, realizado no Hospital Universitário de Basel, vem reforçar esta teoria. No âmbito da investigação, foi fornecido à equipa de saúde um composto à base de álcool para lavar as mãos. Os resultados apontaram para uma eficácia de 61 por cento. Ou seja, esfregar as mãos só com o composto – e sem utilizar água- demorou 17 segundos a actuar, em comparação com os 23 segundos da lavagem com água e sabão.
 

 

Um estudo semelhante realizado num hospital de Chicago verificou que os compostos à base de álcool eram melhores do que água e sabão para eliminar bactérias, de acordo com William Trick, autor do estudo, dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças.
 

 

Isto porque, adianta Trick, algumas doenças bacterianas que resultam de contaminação hospitalar podem ser resistentes a antibióticos.
 

 

Um terceiro estudo, financiado por uma empresa privada, testou o risco do uso de anéis por funcionários de hospitais. Descobriu-se que as mãos de 76 por cento dos profissionais que usavam anéis estavam contaminadas com bactérias, em comparação a 29 por cento daqueles que não usavam quaisquer acessórios.
 

 

O autor do estudo, Robert Hayes, do Hospital do Condado de Cook, em Chicago, também examinou outros possíveis factores, como o comprimento e o tratamento das unhas dos funcionários, o número de pacientes atendidos e o uso de luvas durante o atendimento do doente. "Após a análise, verificamos que o uso de anéis foi o factor mais significativo no aumento do tipo e número de micróbios que proliferam nas mãos dos profissionais de saúde", afirmou o responsável durante a Conferência de Interciência em Agentes Antimicrobianos e Quimioterapia.
 

 

Ninhos de infecções
 

 

Os hospitais são, de facto, lugares ideais para a proliferação de germes. Uma infecção intra-hospitalar acontece quando, passadas 48 horas, o paciente começa a apresentar sintomas de uma infecção que não trazia consigo na altura do internamento.
 

 

Os estabelecimentos de saúde têm, de facto, habitantes muito particulares e -geralmente- multirresistentes a diversos medicamentos.
 

 

Isto acontece porque, em princípio, esses agentes infecciosos provêm de pacientes tratados dentro do hospital com antibióticos e cuja acção se têm tornado resistentes.
 

 

Por exemplo, nos hospitais podemos encontrar Stafilococos meticilinorresistentes, da família dos Cocos Gram +, que não são habituais fora destes ambientes. Esse stafilococo tem vindo a desenvolver uma grande resistência aos antibióticos, dado que tem sido exposto a tratamentos pouco adequados o que lhe permitiu mudar a sua estrutura genética. Essa mutação torna-o, por isso, resistente aos medicamentos conhecidos para o combater.
 

 

Por tudo isto, actualmente, médicos e especialistas têm vindo a dar mais atenção sobre o assunto. O importante é prescrever antibióticos adequados à população de germes, previamente estudada, e respeitar as normas estabelecidas pelas autoridades sanitárias.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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