Microbioma pode ajudar a prever risco de infeções durante a quimioterapia

Estudo da Universidade do Texas

23 setembro 2015
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A diversidade microbiana pode estar associada ao risco de infeção que ocorre ao longo dos tratamentos quimioterápicos, sugere um estudo apresentado na Conferência Interciência de Agentes Antimicrobianos e Quimioterápicos (ICAAC/ICC), nos EUA.
 
Os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, constataram que as alterações que ocorrem no microbioma, através da doença ou administração de fármacos, podem frequentemente conduzir a efeitos nefastos para os pacientes, particularmente para aqueles com cancro, que estão imunocomprometidos e com uma probabilidade aumentada de complicações infeciosas.
 
O microbioma é constituído por todos os microrganismos que residem no corpo humano. Muitos microrganismos vivem em harmonia com os hospedeiros humanos, assim como em equilíbrio com outros microrganismos, de forma a fornecer funções essenciais para a saúde e sobrevivência humana.
 
Neste estudo, os investigadores descobriram que a diversidade microbiana presente nas amostras de fezes era substancialmente menor nos pacientes que tinham desenvolvido infeções durante o tratamento quimioterápico, comparativamente com aqueles onde não foram detetadas infeções. Adicionalmente verificou-se uma diminuição na diversidade microbiana oral e intestinal no decorrer da quimioterapia.
 
O estudo apurou também que ao longo do curso de tratamento quimioterápico ocorreu um aumento da presença de grupos específicos de microrganismos conhecidos por causarem infeção. Nestes casos, o microbioma intestinal dos pacientes era frequentemente dominado por este tipo de agentes infeciosos. Os pacientes que foram capazes de manter um microbioma saudável permaneceram sem infeções 90 dias após a quimioterapia. Verificou-se ainda que o tratamento com antibióticos comuns diminui significativamente a diversidade microbiana.
 
“Este estudo mostra que, no futuro, os médicos podem utilizar uma amostra do microbioma para prever o risco de infeções durante a quimioterapia, e que a monitorização do microbioma durante a quimioterapia pode prever o risco de doenças associadas ao microbioma ao longo dos tratamentos subsequentes”, revelou, em comunicado, uma das autoras do estudo, Jessica Galloway-Peña.
 
Os investigadores concluem que a monotorização do microbioma pode potencialmente reduzir a utilização excessiva de antimicrobianos ao estratificar pacientes em grupos de baixo e alto risco, assim como prever infeções futuras. Isto pode, consequentemente, melhorar o problema de resistência a antibióticos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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