Microbioma da pele é muito estável

Estudo publicado na revista “Cell”

11 maio 2016
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Apesar da higiene regular das mãos e do contacto com objetos repletos de bactérias, o microbioma da pele mantém-se muito estável ao longo do tempo, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

A pele humana é um ecossistema composto por uma vasta gama de habitats de bactérias, fungos e vírus. Embora a maioria destes microrganismos sejam inofensivos ou benéficos, alguns têm sido associados a doenças da pele, tais como acne, psoríase e eczema.
 

Estudar a variabilidade das comunidades microbianas em locais distintos da pele tem ajudado a compreender, nomeadamente, por que motivo o eczema tende a afetar locais húmidos, como as curvas dos braços e pernas, enquanto a psoríase ocorre habitualmente em zonas mais secas, como os cotovelos e joelhos. No entanto, ainda não está claro de que forma as comunidades microbianas encontradas na pele mudam ao longo do tempo e como estas alterações podem afetar a saúde.
 

Os investigadores do Instituto Nacional do Cancro e do Instituto Nacional de Investigação do Genoma Humano, nos EUA, já tinham constatado que as comunidades de bactérias, fungos e vírus não só tinham uma grande preferência por locais específicos da pele, como também funcionavam como impressões digitais microbianas únicas para cada indivíduo.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram analisar a estabilidade longitudinal destas comunidades microbianas da pele. Foram retiradas amostras de pele de 12 indivíduos saudáveis em três momentos consecutivos, espaçados entre um mês e dois anos, e realizada uma sequência metagenómica de 17 locais da pele.
 

O estudo apurou que as comunidades microbianas da pele permaneceram altamente estáveis ao longo do tempo, apesar da exposição às perturbações externas, como o contacto rotineiro com outros indivíduos, roupa e ambientes. Os investigadores verificaram que, em vez de adquirirem os microrganismos prevalentes do meio ambiente, os participantes retinham a sua assinatura microbiana única. Contudo, verificou-se que a estabilidade das comunidades microbianas variava entre indivíduos e estirpes microbianas, apresentando alguns participantes mais variações que outros.
 

Os autores do estudo verificaram ainda que alguns locais apresentavam uma maior variabilidade microbiana que outros. Observou-se que os locais da pele com mais gordura, como as costas e o canal auditivo externo tinham as comunidades microbianas mais estáveis e, mesmo os locais mais expostos, como a palma das mãos permaneceram estáveis ao longo do tempo.
 

Por outro lado, os locais com uma elevada diversidade, como os pés e locais húmidos, eram menos estáveis, talvez devido à higiene pessoal ou à exposição a ambientes mais variáveis. 

 

“Estudos futuros podem utilizar o conhecimento da estabilidade relativa das comunidades microbianas da pele em adultos saudáveis para compreender como diversas exposições ou doença podem alterar estes microrganismos da pele”, concluiu uma das autoras do estudo, Julie Segre.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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