Mickey pode amar Minie para sempre?

Cientistas transformam ratos em monógamos

23 junho 2004
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   Muita atenção a todas as mulheres: a diferença entre o homem fiel e o promíscuo pode estar também nos genes. Pelo menos, segundo um estudo recente norte-americano... Com a introdução de um único gene em uma área específica do cérebro, os investigadores conseguiram transformar ratinhos tipicamente «mulherengos» em amantes da monogamia - comportamento que só é observado em cinco por cento dos mamíferos. A experiência foi feita com duas espécies de ratos da América do Norte, uma que habita áreas de planície e outro das pradarias. Os ratos da planície são os mais promíscuos, dado que possuem menos receptores de uma molécula chamada vasopressina, associada a sensações de prazer no cérebro após o sexo. Já os segundos ratinhos – os da pradaria – são tipicamente monogâmicos e têm grandes quantidades do tal receptor (V1aR). A interacção ocorre na região do corpo pálido, que integra o núcleo de prazer do cérebro. Os investigadores acreditam que a vasopressina é a responsável, porque controla uma espécie de memória selectiva, que relaciona as sensações de prazer a uma fêmea específica, em vez do sexo oposto como um todo. «Todos os animais sentem prazer no sexo, mas a vasopressina permite associar esse prazer a características específicas de um parceiro - como o odor, no caso dos ratos», explicou à AFP o investigador Larry Young, da Universidade Emory. O mesmo ocorre em  fêmeas, só que por meio de outra molécula, a ocitocina. O truque para testar a hipótese foi colocar uma cópia activa do gene responsável pela expressão do V1aR no cérebro dos ratos da planície. E o resultado foi um aumento dos receptores da vasopressina no corpo pálido: os machos que antes eram poligâmicos passaram a interagir com uma única parceira, assim como os seus primos das pradarias. Segundo Young, os mesmos mecanismos estão presentes no homem e na mulher. O que não significa, no entanto, que esse gene seja o único factor determinante da fidelidade. «O cérebro humano é muito mais complexo», afirma Young. «Os genes certamente têm influência sobre o nosso comportamento, mas há ainda uma enormidade de factores ambientais.» O estudo, publicado na revista Nature, procura encontrar uma relação entre a vasopressina e problemas comportamentais como o autismo, que dificultam a formação de laços sociais. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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