Método simples e revolucionário produz células estaminais embrionárias

Estudo publicado na revista “Nature”

03 fevereiro 2014
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Investigadores americanos e japoneses descobriram uma forma revolucionária de reprogramar células estaminais adultas forçando-as a voltar ao seu estado embrionário original através da exposição a um ambiente ácido e com baixo níveis de oxigénio, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.

Os investigadores do Hospital Brigham and Women de Boston, nos EUA e do Centro RIKEN de Biologia do Desenvolvimento de Kobe, no Japão, acreditam que estes resultados poderão um dia conduzir ao desenvolvimento de células estaminais embrionárias específicas para cada indivíduo sem ser necessário o recurso à manipulação genética.
 

As células estaminais estão já a ser utilizadas no tratamento de várias doenças, como as cardiovasculares, cerebrais e doenças sanguíneas. Contudo, no passado, a utilização destas células já levantou algumas questões éticas, uma vez que a extração de células embrionárias humanas de um embrião com quatro a cinco dias pode levar à sua destruição.
 

Como alternativa, em 2006 foi criado um outro tipo de células, as células estaminais pluripotentes induzidas. No entanto, contrariamente às células estaminais embrionárias que são capazes se diferenciar em qualquer tipo de células maduras, estas só se diferenciam num tipo específico de células, sendo por isso de uso limitado.
 

Com base na reprogramação celular observada em plantas, os investigadores liderados, por Charles Vacanti, pensaram em reprogramar, através de um processo natural, células estaminais adultas após estas se terem diferenciado num tipo específico de células.
 

Desta forma, os investigadores expuseram células estaminais maduras, mais precisamente linfócitos, a um ambiente traumático, ácido e com baixo um baixo nível de oxigénio. Este tipo de agressões colocou as células perto da morte. Contudo, os investigadores observaram que, em poucos dias, as células sobreviveram e foram para um estado equivalente ao das células estaminais embrionárias. Estas células obtidas foram denominadas pelos investigadores por STAP – sigla inglesa para aquisição de pluripotência desencadeada por um estímulo.
 

Estes resultados sugerem que, “de alguma forma, através de um processo de reparação natural, as células maduram inativam alguns controlos epigenéticos que inibem a expressão de certos genes que resultam na diferenciação”, referiu, em comunicado de imprensa, Charles Vacanti.
 

De acordo com os investigadores, se uma biopsia da pele ou uma amostra de sangue humano seguir este mesmo processo, será possível produzir células estaminais embrionárias específicas para cada indivíduo.
 

Estas células poderão ser posteriormente utilizadas para produzir tecidos, sem a introdução de qualquer material genético dentro das células. Fornecendo assim inúmeras opções de tratamento para os pacientes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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