Método genético aumenta longevidade sem efeitos secundários

Processo não afectou a capacidade de reprodução

24 outubro 2002
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Investigadores norte-americanos conseguiram aumentar a longevidade de um verme através de uma modificação genética, evitando os habituais efeitos secundários que afectam as capacidades de reprodução, segundo um estudo publicado na última edição da revista Science.
 

 

A técnica consiste em modificar certos genes que regulam a actividade hormonal, comuns a várias espécies incluindo o homem, abrindo perspectivas para o aumento da longevidade humana, segundo os cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) que conduziram o estudo.
 

 

O método, que foi experimentado numa pequena minhoca com um milímetro de comprimento (caenorhabditis elegans) muito utilizada em laboratório, permitiu desactivar um grupo de genes em diferentes etapas da vida do animal, de forma a estudar os seus efeitos na longevidade.
 

 

Os cientistas estudaram os genes designados por "daf-2" e "daf- 16". Em trabalhos anteriores, já tinham demonstrado que a desactivação parcial do gene daf-2 permitia duplicar a longevidade da minhoca.
 

 

O gene daf-2 codifica um receptor de insulina bem como uma hormona factor de crescimento.
 

Outros estudos provaram a influência deste factor de produção hormonal na longevidade da mosca do vinagre e do rato, o que torna provável a mesma importância no homem.
 

 

Apesar deste gene afectar também a reprodução, esta nova pesquisa demonstra que o gene age de diversas formas em diferentes fases da vida para controlar a reprodução ou a longevidade, permitindo aos cientistas separar estas duas funções.
 

 

"Vários biólogos da evolução previram que não se poderia aumentar a longevidade sem inibir a reprodução, o que não é verdade.
 

 

Estes vermes viveram muito mais tempo do que o normal e reproduziram- se perfeitamente bem", explicou Cynthia Kenyon, professora na UCSF e principal autora do estudo.
 

 

"À medida que aprendermos mais sobre estes genes e os que lhes estão directamente relacionados, esperamos saber como a juventude e a longevidade podem ser conseguidos no homem, sem efeitos secundários", acrescentou a cientista.
 

 

A sua equipa descobriu que se o gene daf-2 for desactivado logo após o nascimento, as minhocas vivem duas vezes mais tempo mas reproduzem-se mal.
 

 

No entanto, se o gene puder funcionar normalmente até ao início da idade adulta, sendo depois "desligado", as minhocas têm a sua vida prolongada, reproduzindo-se normalmente.
 

 

Em 1993, esta equipa de cientistas descobriu o efeito do gene daf-2, conseguindo pela primeira vez duplicar, através de manipulação genética, a vida de um organismo vivo. Estas minhocas vivem habitualmente 15 dias.
 

 

Fonte: Lusa
 

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