Metirapona mostra-se promissora contra o jet lag

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

29 junho 2010
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As mudanças fisiológicas incómodas causadas pelo jet lag (desfasamento horário provocado pelas viagens de longo curso ou pelo trabalho por turnos) podem ter uma solução, apontam cientistas alemães num estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.

 

Através da manipulação em ratinhos da síntese de corticosterona, com a ajuda do fármaco metirapona, uma equipa de cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, conseguiu desactivar o “relógio” da glândula supra-renal. Surpreendente foi o facto de verificarem que os roedores ficaram mais despertos mesmo depois do jet lag.

 

A metirapona é usada na prova da função pituitária, para determinar se a glândula está a funcionar correctamente, avaliando a inibição que esta provoca numa enzima envolvida na síntese da hormona corticosterona. Numa situação de jet lag, os níveis de corticosterona estão elevados, pelo que este fármaco poderá ser usado para regularizar esta situação.

 

Quanto o relógio circadiano (também conhecido como “relógio biológico”), localizado nos núcleos supraquiasmáticos do hipotálamo, é alterado, todos os “relógios” periféricos do corpo podem desorganizar-se. “Os relógios internos adaptam-se às influências externas em diferentes velocidades”, explicou Gregor Eichele, director do Departamento de Genética e Comportamento do instituto, acrescentando que “quando o corpo sofre de jet lag, pode parecer que o mecanismo geral do relógio falha ao tentar apanhar o ritmo. Como resultado, diversos processos fisiológicos deixam de estar coordenados”, o que conduz a uma série de alterações ao nível do batimento cardíaco, temperatura, exigência do sono e equilíbrio hormonal.

 

Quando os investigadores administraram o princípio activo metirapona nos roedores, o ritmo da corticosterona mudou como ocorre no sono ou na vigília. “Se os ratos recebessem metirapona na hora certa, adaptavam-se mais rapidamente ao ritmo circadiano perturbado. Apesar de se mostrar eficaz nos ratinhos, os cientistas adiantam que serão necessários mais estudos antes que a metirapona seja usada para o tratamento desta condição.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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