Metástases: bloqueio de uma proteína pode ser a chave

Estudo publicado na “Nature”

13 dezembro 2011
  |  Partilhar:

Investigadores suíços identificaram uma proteína que tem um papel muito importante no desenvolvimento das metástases e mostraram que a formação de tumores secundários pode ser evitada pelo bloqueio desta proteína. O estudo publicado na “Nature” pode assim ajudar a criar novas opções terapêuticas para tratar os cancros em fase avançada.
 

Pela primeira vez, os investigadores centraram a sua atenção no desenvolvimento das metástases em vez de se focarem nos tumores primários, que lhes deram origem. Já era do conhecimento dos investigadores que células cancerígenas se disseminavam quando um tumor maligno estava instalado. Contudo, estas células nem sempre dão origem a um cancro secundário. Na verdade, nem todas as células cancerígenas são criadas da mesma forma, só algumas delas, as células estaminais cancerosas, iniciam o processo de metastização. Para iniciarem este processo, elas têm que se instalar numa zona – um nicho - que seja propício ao seu desenvolvimento.
 

Neste estudo, os investigadores do Swiss Center for Experimental Cancer Research, na Suíça, mostraram que, são necessárias várias condições para que o cancro se dissemine. “Em particular, fomos capazes de isolar uma proteína, a periostina, nos nichos onde as metástases se desenvolvem,” revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Joerg Huelsken.
 

Os investigadores constataram que a periostina, que só está activa em alguns órgãos específicos, como as glândulas mamárias, ossos, pele e intestino, tinha um papel muito importante no ambiente que as células estaminais cancerígenas necessitam para se metastizar. Experiências realizadas em ratinhos indicaram que quando esta proteína era bloqueada, através da utilização de um anticorpo, a formação de metástases era evitada. “Sem esta proteína, as células estaminais cancerígenas não podem iniciar o processo de metastização, em vez disso, desaparecem ou ficam dormentes”, explica Joerg Huelsken.
 

O estudo demonstrou que o bloqueio da periostina resultava em poucos efeitos secundários. “O que pode não ser necessariamente igual para o caso dos seres humanos. Para além disso, os investigadores ainda não sabem se conseguem encontrar um anticorpo equivalente que funcione nos humanos”, advertiu o investigador.

Contudo, esta descoberta não deixa de ser muito encorajadora, especialmente porque agora se sabe que os tumores malignos tendem a disseminar-se mais rapidamente do que se supunha. Impedir o desenvolvimento de metástases parece ser assim uma opção terapêutica importante que pode limitar os efeitos nefastos dos cancros.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 2Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.