Metade dos portugueses não compreendem informação de saúde

Estudo do ISCTE

24 abril 2015
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Metade dos portugueses apresenta um nível insuficiente de conhecimentos relacionados com a saúde, o que tem um impacto negativo tanto na sua saúde como na saúde dos seus familiares, aponta um estudo do ISCTE.
 
De acordo com a notícia veiculada pela agência Lusa, o estudo realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE partiu de um inquérito realizado em Portugal, tendo por base o Inquérito Europeu sobre Literacia em Saúde, para identificar os principais problemas na área da literacia da saúde.
 
Os resultados da investigação revelaram que 49% dos inquiridos apresentam um índice de literacia de saúde baixo (38% têm um nível de conhecimento considerado “problemático” e 11% “inadequado”, o mais baixo da escala). Daqueles que apresentam níveis positivos de literacia, apenas 8,6% possuem um nível “excelente” de conhecimentos.
 
No que diz respeito a “cuidados de saúde”, 45,4% revelam literacia limitada, 10,1% têm um nível de literacia “inadequado” e 35,3% “problemático”.
 
Em termos de “prevenção da doença”, 45,5% dos participantes portugueses apresentam um nível de literacia com limitações, ascendendo a 51,1% no caso da “promoção da saúde”.
 
Rita Espanha, coordenadora do estudo, em declarações à Lusa, não se mostra surpreendida, considerando que os dados confirmam a perceção geral, tanto do público em geral como da comunidade científica, de que os portugueses possuem níveis de literacia relativamente baixos.
 
No entanto, a investigadora ressalva que os resultados apurados em Portugal não são muito diferentes dos obtidos nos restantes países europeus participantes (Holanda, Grécia, Irlanda, Áustria, Polónia, Espanha, Bulgária e Alemanha), confirmando ainda uma relação entre literacia em saúde e literacia em geral.
 
Para Rita Espanha este estudo revela um grupo mais vulnerável, entre os iletrados em saúde: os idosos e pessoas com menos estudos.
 
“Os mais baixos níveis de literacia em saúde encontram-se precisamente entre os mais velhos e os menos escolarizados, o que nos remete também para o reconhecimento de alguns grupos mais vulneráveis que são identificados no estudo como sendo o público-alvo a considerar em termos de políticas públicas no campo da promoção da literacia em saúde”, explicou.
 
O estudo sublinha, a este respeito, que “a literacia em saúde se encontra positivamente correlacionada com as práticas de literacia, sejam estas práticas de leitura de diversos materiais, sejam práticas de utilização de tecnologias da informação e comunicação”.
 
Os inquiridos demonstraram ainda dificuldade em interpretar bulas de medicamentos, bem como em avaliar informação sobre doenças e sua prevenção, riscos para a saúde, vantagens e desvantagens perante opções de tratamento, vacinas ou recorrer a segunda opinião médica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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