Mesotelioma: radiação antes de cirurgia duplica sobrevivência

Estudo publicado no “Journal of Thoracic Oncology”

23 janeiro 2014
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O tratamento do mesotelioma, um tumor agressivo que tem início na pleura e pode atingir todo o pulmão, com radiação antes da realização da cirurgia mais do que duplica a taxa de sobrevivência dos pacientes, dá conta um estudo publicado no “Journal of Thoracic Oncology”.
 

De forma a avaliar uma nova abordagem de tratamento denominada por SMART (Surgery for Mesothelioma After Radiation Therapy) os investigadores da Universidade Health Network, no Canadá, contaram com a participação de 25 pacientes.
 

Este tratamento, que teve uma duração de cinco dias, consistiu na utilização de radiação de intensidade modelada, uma técnica que aplica radiação em torno do tumor deixando a salvo o coração, coluna vertebral e outros órgãos saudáveis. Na semana seguinte os pacientes foram submetidos a uma cirurgia para remoção do pulmão afetado.
 

“A cirurgia teve de ser realizada num espaço curto de tempo, uma vez que o pulmão é particularmente sensível à toxicidade da radiação”, explicou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Marc de Perrot.
 

Os investigadores constataram que esta nova abordagem conseguiu aumentar a taxa de sobrevivência de 32 para 72%, tendo assim mais do que duplicado. Esta abordagem diminuiu também o período de tratamento, apresentou poucas complicações e acelerou a recuperação dos pacientes. O estudo apurou ainda que houve uma redução do risco de recorrência, uma vez que a radiação eliminou a capacidade do tumor se disseminar, durante a cirurgia, para outras zonas do tórax ou abdómen.  
 

“Estes resultados fornecem uma nova esperança para os indivíduos com mesotelioma, aos quais lhes era frequentemente dito que poderiam ter apenas seis meses de vida”, referiu o investigador.
 

Marc de Perrot refere ainda que uma das principais causas do mesotelioma é a exposição ao amianto. Assim os indivíduos que têm conhecimento da exposição a esta substância, que sentem falta de ar, fadiga e que perdem peso em cerca de três semanas devem consultar um médico. A realização de um raio-x básico ao tórax é capaz de detetar uma efusão na pleura.
 

“O diagnóstico e o ciclo de tratamento devem ser rápidos um vez que agora temos uma forma de controlar a doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes ao longo de vários anos”, conclui o investigador.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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